Os clichês da história de Justin Bieber, um ídolo adolescente tecnicamente morto

Fichado na polícia
Fichado na polícia

 

Ídolos adolescentes muitas vezes surgem, explodem e desaparecem.  Alguns, como Justin Timberlake, têm talento autêntico como cantores e compositores e sobrevivem anos. Outros, como Justin Bieber, são bons performers com uma voz mediana, um certo apelo sexual, pouca vocação para criar as próprias músicas e uma vida útil com prazo de validade curto.

No caso de Bieber, o ídolo teen canadense está na iminência de se tornar a mais recente vítima de seu próprio sucesso fenomenal. Milhões de meninas em todo o mundo confessam seu desejo de acariciar, afagar, mimar e tudo o mais o menino, não importa o quão desagradável, superficial e imaturo ele seja.

Sua prisão em Miami sob a acusação de dirigir embriagado enquanto disputava um racha mais uma vez expôs seu ego incontrolável e seu comportamento cada vez mais errático.

Ao longo dos últimos dois anos, Bieber se transformou num pirralho autoindulgente, dado a entrevistas pseudobombásticas e a gestos obscenos para os fotógrafos que encontra pelo caminho. Para compensar sua baixa estatura e sua insegurança, agride fãs, vive cercado de gorilas, faz xixi nas ruas (!), frequenta puteiros e joga ovos na casa de seu vizinho.

No início desta semana, foi noticiado que enviou fotos e textos escabrosos à ex-namorada Selena Gomez, que teve o bom senso de aconselhá-lo a obter ajuda para o alcoolismo.

“Meus amigos estavam certos, você é um idiota. Precisa ir para um rehab. Você precisa de ajuda”, teria dito ela.

Bieber estava dirigindo uma Lamborghini alugada às 4 da manhã quando foi parado por policiais. Estava, segundo a polícia, sob o efeito de drogas prescritas e bebida. Pagou a fiança e foi para casa. Será processado.

Esse tipo de demonstração pública de mau comportamento ficou muito associado, recentemente, ao ator Charlie Sheen, o homem com “sangue de tigre”, dono de uma tolerância indescritível para quantidades cavalares de cocaína e o que mais aparecer pela frente. Mas Bieber é um viciado de segunda categoria e sua tentativa de vender uma imagem de “gangsta” é apenas patética.

Filho único de uma mãe profundamente religiosa, Pattie Mallette, que ficou grávida dele aos 18 anos de idade, Bieber mostrou um grande interesse em música quando criança, tocando vários instrumentos. Aos 12, entrou em um concurso de talentos e foi o segundo colocado. Sua mãe postou sua apresentação no YouTube, e muitas outras, até que um agente de gravadora surgiu com um contrato e ele trilhou a estrada perigosa do estrelato fulminante.

De um menino canadense de talento – ele tem uma presença de palco tremenda, algo que a maioria dos cantores leva anos para desenvolver -, virou um goblin de boné que mostra sinais de ter sucumbido à pressão de sua enorme fama.

Sua natureza irritável com a tenra idade de 19 anos é indicativa de rachaduras em sua armadura, que seus fãs doentes, as beliebers, tendem a ignorar — pelo menos até agora.

No torneio de tênis Australian Open, a jogadora canadense Eugenie Bouchard, de Montreal, foi questionado após sua vitória nas quartas de final sobre com qual celebridade ela gostaria de ter um encontro. Ao responder “Justin Bieber”, ela foi saudada com um coro retumbante de vaias da plateia.

Em pouco tempo, suas atitudes petulantes, irascíveis e cada vez mais repugnantes puseram fim ao caso de amor púbere que tinha com um público gigantesco. Hoje, é um artista tecnicamente morto. E sua maior tragédia é que ele sabe disso.

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