
Mesmo com as pesquisas indicando uma disputa concentrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), empresários reunidos no Fórum Esfera Brasil voltaram a defender o surgimento de uma alternativa eleitoral para a Presidência da República, segundo o UOL. O evento ocorreu na sexta (22) e no sábado (23), no Guarujá (SP), reunindo mais de 400 participantes para debates sobre política e economia.
Na abertura do segundo dia do encontro, o fundador da Esfera Brasil, João Camargo, reclamou das gestões dos últimos anose pediu maior envolvimento do setor privado na política. “Se a gente não buscar, na hora de votar, quem for apresentar a melhor proposta, vamos ter mais quatro anos iguais a esses últimos oito. Vamos esquecer plano de governo. O Brasil tem que ter orgulho de ter uma política de Estado”, afirmou.
Ele também incentivou a participação dos empresários em campanhas e mandatos parlamentares: “Invistam na vida pública, participem ativamente, se possível, colaborem financeiramente nas campanhas”.
Em seguida, o apresentador e empresário Luciano Huck defendeu uma agenda que reúna elementos tradicionalmente associados à esquerda e à direita. Ele reclamou da polarização política e afirmou que falta equilíbrio no debate nacional.
“Por que a gente não pode jogar com as duas pernas, ter o melhor dos dois lados? Por que a gente não pode buscar um projeto mais equilibrado, onde a gente cuide das pessoas, gere mais oportunidade, e seja mais eficiente?”, questionou.
Huck também afirmou que não vê atualmente espaço para um diálogo menos conflituoso. “Não consigo enxergar isso neste momento, que a gente tenha equilíbrio, que a gente consiga falar baixo e ser ouvido. Que a gente consiga discordar no debate e não no ódio”, completou durante sua participação no fórum.

Nos bastidores, o discurso segue o mesmo. O empresário Lírio Parisotto, controlador da Videolar-Innova, afirmou desejar um presidente com perfil de gestor e disse acreditar que o cenário eleitoral ainda pode sofrer alterações ao longo da campanha.
“Sonho sempre com um presidente que se ligasse em gestão, porque metade do dinheiro do país acaba na mão do governo, seja municipal, estadual ou federal. É por isso que o governo é tão importante”, afirmou Parisotto.
Ele acrescentou: “Quem é o candidato? Eu não sei quem é o candidato. O que está aí nós já conhecemos. As outras opções são meio complicadas. Eu acho que [a campanha presidencial] ainda está no começo, muita coisa vai mudar”.
Já Flávio Rocha, presidente do conselho de administração do Grupo Guararapes, avaliou que a eleição continua marcada pela rejeição dos principais candidatos. “O Brasil ainda continua numa polarização muito grande, porque esta eleição não é uma disputa de preferências, é uma disputa de rejeições”, afirmou.
Para o empresário, a tendência é que a polarização permaneça até a reta final da campanha e que o resultado seja definido por uma parcela reduzida do eleitorado, formada por eleitores que alternam seu voto de acordo com a avaliação da situação econômica e de sua realidade cotidiana.