Os Estados Unidos dez anos depois

Protesto no Paquistão contra a presença americana

Ia falar do Onze de Setembro, mas pensei melhor e vi que não tinha muito a dizer além do óbvio: os atentados tornaram os Estados Unidos piores. Mas depois decidi ir adiante mesmo assim.

Em nome da “Guerra ao Terror”, como a chamou Bush, quantas atrocidades não foram cometidas pelos americanos? Não fosse pela internet, que facilitou a divulgação de informações em partes remotas do mundo, jamais saberíamos o tamanho da violência americana.

Os mortos das Torres Gêmeas – que devem ser chorados e lamentados para sempre, inocentes que eram – são numericamente uma pequena fração das crianças, velhos e civis alcançados nos países árabes pelas armas e sede de vingança dos americanos.

A volúpia em matar acabou roubando rapidamente entre os ocidentais a simpatia, a solidariedade que o Onze de Setembro despertou nas pessoas.

Escrevi ocidentais porque, entre os árabes, a reação foi bem diferente. Numa aclamada biografia de bin Laden escrita por um jornalista americano, ele nota que mesmo árabes moderados, sem nada de extremismo, acharam que os Estados Unidos bem que mereceram a agressão. Por isso, bin Laden virou um ídolo entre os muçulmanos.

Os árabes querem basicamente uma coisa dos americanos: que vão embora.

Mas o petróleo os prende lá, e por isso, ao contrário do que afirmou triunfalmente Obama, ele que é desde já um candidato à maior decepção do século, o mundo não se tornou mais seguro depois da execução sumária de bin Laden.

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