
O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirma que há indícios de exploração sexual em festas promovidas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e aponta que esses eventos faziam parte da rede de relações construída pelo banqueiro com autoridades.
O documento, que ainda será votado pelos parlamentares, sustenta que o próprio Vorcaro teria admitido, em mensagens trocadas com sua então noiva Martha Graeff, que esse tipo de encontro integrava seu “business” e que ele teria organizado cerca de 300 festas desse tipo.
Segundo o texto obtido pelo Metrópoles, os indícios surgiram a partir de informações obtidas pela CPMI do INSS, que teve acesso a um volume expressivo de dados extraídos do celular e do armazenamento em nuvem de Vorcaro.
O relatório menciona cerca de 400 gigabytes de arquivos, incluindo vídeos, mensagens, documentos e imagens de passaportes de mulheres estrangeiras, inclusive europeias, além de registros de festas privadas em Brasília e em Trancoso. A leitura feita pelo relator é que esse material levanta suspeitas de crimes relacionados a tráfico internacional de pessoas e exploração sexual, especialmente diante das condições de recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas.

A conclusão coloca o caso Banco Master em um patamar ainda mais grave, porque amplia o foco da CPI para além das suspeitas financeiras e das conexões institucionais em torno do banco.
Até aqui, a comissão já vinha tratando Vorcaro como personagem central de uma engrenagem que combinaria fraude bancária, influência política e relações com figuras de alto escalão. Agora, o relatório final acrescenta à investigação a suspeita de que parte desse ambiente de poder também teria sido sustentada por eventos privados marcados por práticas potencialmente criminosas.
O texto também reforça o ambiente de confronto institucional que marcou os trabalhos da comissão. Alessandro Vieira afirma que a CPI enfrentou “flagrante limitação de recursos”, agravada por “enormes barreiras políticas e institucionais levantadas na medida em que as informações sobre fatos relacionados a figuras imponentes da República” começaram a ser investigadas.
A fala ajuda a explicar o tom do relatório, que mistura acusações penais, críticas ao bloqueio de informações e tentativa de ampliar a responsabilização de autoridades públicas ligadas, direta ou indiretamente, ao escândalo.