Os jornalistas queriam ouvir uma Erika mais dócil. Por Moisés Mendes

Atualizado em 31 de março de 2026 às 6:27
Erika Hilton no Roda Viva. Foto: Reprodução

Três jornalistas da bancada do Roda Viva (Anna Virginia Balloussier, Clarissa Oliveira e Fabio Turci) iniciaram a entrevista com Erika Hilton com uma pauta bem interessante para o reacionarismo.

Queriam saber se ela não é muito radical e se a sua luta, na condição de transexual que fala em voz alta, não favorece a direita.

Eram perguntas que o bolsonarismo patrocinaria. Foram 20 minutos de programa com a pauta da radicalidade de Erika. Foi quase um massacre.

Mas a deputada deu respostas que deveriam inspirar boa parte das esquerdas perdidas nessa conversa fiada de que o problema hoje é o excesso de foco nas questões identitárias.

Essa é a síntese do que ela disse: não há como responder às agressões às mulheres, às pessoas LGBTQIA+ e aos negros com voz baixa e cordialidades:

“Às vezes eu precisaria ser mais dura do que eu sou. Quero evocar aquela colocação do Malcolm X. Não podemos confundir a reação dos oprimidos com a violência dos opressores. Nós temos algumas vezes algumas reações que são a medida necessária para que a gente possa fazer frente à onda de violência e de ódio e de ataques. Não dá para esperar que uma pessoa que esteja sendo apedrejada, que está sendo ridicularizada e violentada, que tenha negada a sua própria identidade, reaja com flores e com palavras dóceis”.

Abaixo, o link para a entrevista.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/