Os juízes brasileiros precisam aprender a ser firmes como seus colegas da NBA

Até quanto os árbitros do futebol vão tolerar a pressão e os desaforos que os jogadores fazem com eles? Isso é um absurdo.

juiz corinthians são paulo
Ele não está ali para ajudar ou prejudicar ninguém

No clássico entre Corinthians e São Paulo, neste domingo, o jogo estava empatado em 1×1 até os 33 minutos do segundo tempo, quando o árbitro marcou um pênalti polêmico, porém correto, em favor do Corinthians. Eis que uma multidão de jogadores do São Paulo cercou o juiz para reclamar da decisão. Durante três ou quatro minutos, ele gritaram e apontaram o dedo em sua cara, como uma caravana de mães e tias dando bronca numa criança levada.

A resposta de Leandro Bizzio Marinho, o dito árbitro? Andar para trás, acuado pela pressão e pelos desaforos são-paulinos, em vez de se posicionar com firmeza e mostrar o cartão amarelo (ou até mesmo vermelho) para os atletas mais exaltados. No final da partida, a cena se repetiu, desta vez com o juiz precisando até mesmo ser escoltado pela Polícia Militar para escapar do enquadro dos atletas tricolores.

Este tipo de quadro é tão comum no futebol, especialmente o brasileiro, que olhamos para ele e não ficamos sequer surpresos.

Mas, calma lá: não tem algo de errado com isso?

O árbitro é um profissional treinado e pago para botar ordem numa partida. E eles estão lá para fazer isso da melhor maneira possível. (Salvo as raríssimas exceções de quando há algum fator extracampo que influencia as suas decisões, óbvio.) Qual é a credencial do jogador, que obviamente enxerga o lance de maneira enviesada em favor ao seu time, de dar bronca no juiz quando não concorda com uma marcação sua?

Claro que o atleta tem todo o direto de discordar do lance e, até mesmo, de conversar com o juiz sobre isso. Mas de cobrá-lo pela decisão, como se fosse o chefe dele? Não faz sentido.

Os juízes brasileiros – e de outros países em geral – deveriam aprender a ser firmes com os seus colegas das NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos. Lá, há um tipo de infração chamada de “falta técnica”. Você usou linguagem obscena com o juiz ou discutiu uma chamada dele com muita veemência? Recebe uma falta técnica. E duas delas resultam na sua expulsão da partida. Simples assim. O resultado? Mais respeito ao juízes durante o jogo.

Está na hora dos jogadores de futebol aprenderem que o árbitro não está ali fazendo um favor para eles ou tentando prejudicá-los. E, sim, para aplicar regras do esporte. Que tal deixá-los fazer o seu trabalho direito, então?

falta NBA
Na NBA, os juízes não toleram pressão dos jogadores

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