Os mais de 61 mil homicídios do ano passado valem ouro para Bolsonaro e a bancada da bala. Por Sacramento

O deputado Alberto Fraga com seu amigo Bolsonaro

No ano passado 61.619 pessoas foram assassinadas no Brasil, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. É o maior número de assassinatos em um único ano na história do país.

São números assustadores. A quantidade de mortos em decorrência de homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e de intervenção policial equivale a 309 acidentes iguais ao do Airbus que explodiu em 2007, em Congonhas, maior desastre aéreo no Brasil.

Qualquer pessoa com o mínimo senso de respeito à vida humana vai lamentar este recorde macabro. Para os políticos da bancada da bala, contudo, há motivos para comemorar, ainda que por trás das cortinas dos gabinetes.

O número hediondo de homicídios registrados ao longo dos últimos anos é combustível para a campanha eleitoral de quem aposta no armamento da população, no aumento da repressão policial e no endurecimento da legislação penal como únicas soluções eficazes para o combate à violência.

Sujeitos como os Bolsonaro ou o deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB/SC), autor do PL 3722, que propõe a revogação do Estatuto do Desarmamento, apelam para a emoção do eleitorado com promessas rasteiras para solucionar o problema da segurança pública.

Jair Bolsonaro, por exemplo, vive a dizer que se eleito presidente vai dar carta branca para a polícia matar, fingindo ignorar que a alta letalidade das ações policiais no Rio de Janeiro não contribuíram em nada para a pacificação daquele estado.

A violência urbana talvez seja o problema social com maior número de causas envolvidas. Envolve questões como corrupção policial, desigualdade econômica, abuso de drogas ilegais e de álcool.

Uma região pode verificar aumento na criminalidade durante um período de desemprego generalizado ou em plena bonança. O próprio trabalho da polícia pode provocar efeitos colaterais, como as mortes nas disputas dos postos vagos após a prisões de traficantes.

A única certeza, nisso tudo, é que sem ações preventivas a repressão não passa de um paliativo.

Mas falar em prevenção não rende votos, até porque demora a dar resultado e requer investimento financeiro, ao contrário de mudanças na legislação.

Além do mais, buscar combater a violência lá nas suas origens pode levar à redução dos índices, o que não é nada interessante para a turma que se elege graças ao medo da população.

Para eles, é melhor lutar para armar o “cidadão de bem” ou cometer disparates como prometer a pistola calibre .50 para os policiais, como fez Bolsonaro em seu passeio pela terra do Trump, porque os índices de homicídios eternamente nas alturas é garantia de perpetuação no poder para estes fanfarrões belicistas.

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