Os maus tratos a jornalistas na posse de Bolsonaro provam o acerto de PT e Psol em não participar da farsa. Por Kiko Nogueira

Os maus tratos aos jornalistas na posse de Jair Bolsonaro em Brasília viraram notícia nesta terça, dia 1º.

Profissionais foram impedidos de transitar entre os prédios da Esplanada e da Praça dos Três Poderes, obrigados a chegar horas antes.

Em alguns pontos, como no Congresso, houve relatos de falta de acesso a água ou autorização para ir ao banheiro.

Quem levou lanche para matar a fome viu a comida ser confiscada sob o argumento de que ela poderia ser atirada contra o grande líder.

Na chegada ao Itamaraty, os repórteres foram conduzidos ao piso inferior e colocados na sala San Tiago Dantas, sem janelas.

“Nos demos conta de que ficamos presos em uma sala de imprensa sem vidro, onde não podemos fazer nada para registrar a chegada de convidados”, disse Fanny Marie Lotaire, da rede de tevê France 24.

Míriam Leitão, entre outros, apontou em sua coluna que “o que está acontecendo com os jornalistas é impensável e inaceitável.”

Blogueiros de estimação estão sendo tratados a pão de ló.

Três deles gravaram um vídeo debochando dos adversários na mídia.

Simone Kafruni, do Correio Braziliense, gravou um depoimento mostrando as condições precárias do trabalho (abaixo).

Um sujeito chamado Leandro Ruschel, olavo-bolsonarista raiz, dono de uma consultoria de investimentos que vive sendo repercutido pela família, resume bem o espírito da coisa.

“Há dois principais inimigos do país que podem impedir a criação de um novo Brasil: o STF e a extrema-imprensa”, escreveu.

Esse é o espírito do bolsonarismo, de flagrante desrespeito ao estado democrático de direito.

Meia hora perto do Twitter de Carlos, um dos garotos de JB, é garantia de vômito diante dos ataques a quem não se enquadra na visão autoritária, estúpida e desonesta dessa gente.

Esse é o modus operandi da turma.

É curioso pensar na gritaria dos articulistas quando PT e PSOL anunciaram que não participariam dessa farsa.

No Valor, Maria Cristina Fernandes acusava o PT de se ausentar de uma “missão constitucional”, sabe Deus o que isso significa.

Isso foi um aperitivo.

A normalização de Bolsonaro vai custar caro aos isentões e ao jornalismo obcecado com o petismo.

Infelizmente, não apenas para eles.

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