Os modernos ‘gladiadores’ de Roma

O gladiador e o otário

Vibrei à distância.

Vi que a notícia mais lida no começo desta sexta no site da BBC era a prisão de gladiadores em frente ao Coliseu, em Roma. Havia uma gangue de gladiadores especializada em duas coisas: tirar concorrentes e explorar turistas.

Turistas como eu.

A última vez que estive em Roma, na primavera, fui extorquido por um gladiador. Eu estava chegando ao Coliseu e fui abordado. Fomos, aliás, Erika e eu. Perguntei quanto era a foto. Dez euros. Tiramos em um minuto, talvez dois. Eu não tinha troco. Dei uma nota de 20. O gladiador então disse que era 10 por pessoa. E sorriu descaradamente enquanto se afastava à busca de novos otários.

Fiquei indignado por alguns segundos minutos, e depois pensei que poderia ter perdido 30 euros e não 20. Então me acalmei. Atribuí a malandragem ao espírito italiano, à fraqueza de Berlusconi, à crise econômica mundial, à minha boa-fé e uma série de outras coisas que no fundo eram simples bobagens. Prometi a mim mesmo jamais me deixar abordar por um gladiador quando voltasse a Roma.

Coliseu, sim. Sempre. Gladiador, nunca mais.

Depois, tirei da mente o episódio desagradável. Fui revivê-lo agora, ao ver a notícia.

A operação policial pareceu uma comédia italiana. Alguns policiais se vestiram de gladiadores, e outros se fizeram passar por turistas.

Não sou vingativo, mas gostei de saber que a farra acabou – e ao lembrar o semblante festivo do gladiador que me fez de bobo me ocorreu a sentença segundo a qual ri melhor quem ri por último.