Os noruegueses sabem o que fazem

O assassino

 

Se há um povo em cujo bom senso confio é o escandinavo.

Falei já aqui que vigora ali uma cultura que mistura o melhor do capitalismo com o melhor do socialismo. Há um consenso, nos países escandinavos, de que o preço a pagar por uma sociedade saudável é uma carga de impostos alta. O espírito escandinavo se reflete na chamada Janteloven – leis de Jante. Jante é uma cidade imaginária criada por um romancista sueco-norueguês, e nela vigora o entendimento de que ninguém é melhor que ninguém.  Um magnata não é melhor que um lixeiro, e nem pior.

Bem, por tudo isso, ao contrário de quase todo mundo, não me indignei com a notícia de que o neonazista que matou dezenas de jovens no verão norueguês foi declarado doente mental. Anders Brevik sofre, segundo os especialistas que o avaliaram, de esquizofrenia paranóica. Vive num mundo ilusório, dele mesmo.

O diagnóstico ainda vai ser revisto, mas a perspectiva é que o assassino vá não para a prisão, mas para um manicômio.

Os noruegueses sabem o que fazem.

Pela legislação da Noruega, o tempo máximo de prisão é pouco mais de 20 anos.

Num manicômio, o assassino vai ficar, muito provavelmente, o resto da vida, vivendo em seu mundo próprio e enfrentando as consequências da monstruosidade que cometeu no mundo real. O que realmente importa é que ele não fique solto.

Mais uma vez.

Os noruegueses sabem o que fazem.

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