Os países acordaram: megaeventos esportivos sempre custam mais e rendem menos que o esperado

O velódromo do Rio, elefante branco do Pan
O velódromo do Rio, elefante branco do Pan

 

Publicado originalmente no Business Insider.

 

Os pesquisadores sabem há anos que hospedar grandes eventos esportivos como os Jogos Olímpicos sempre custa mais do que o esperado e rende menos receita e menos infra-estrutura de longo prazo do que o estimado.

Agora os eleitores e os políticos de países democraticamente eleitos estão começando a perceber a mesma coisa.

Potenciais cidades anfitriãs estão caindo fora como loucas do processo de licitação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022.

Barry Petchesky, do site Deadspin, mostrou o colapso do número de locais que querem sediar o evento.

Cracóvia, Munique e Davos/St. Moritz retiraram suas propostas depois que o público votou contra na internet. Estocolmo se retirou depois que a prefeitura disse que “as receitas provavelmente serão menores e os custos mais elevados” do que o estimado.

A candidatura de Oslo está na UTI em meio à crescente oposição da opinião pública. E Lviv, a aposta da Ucrânia, saiu da jogada em face da instabilidade generalizada no país.

A licitação para os Jogos Olímpicos tem sido justificada por anos com uma grande mentira econômica: investir em sediá-los levará a um crescimento econômico no longo prazo.

Isso não acontece.

Em um artigo de 2006, “Megaeventos: O efeito dos maiores eventos esportivos do mundo na economia local, regional e nacional”, o professor de economia da Universidade de Santa Cruz Victor Matheson disse o seguinte:

“Os gastos públicos em operações de infra-estrutura esportiva e de eventos necessariamente implicam reduções nos outros serviços do governo, uma expansão do endividamento ou um aumento dos impostos, os quais resultam num peso para a economia local. Na melhor das hipóteses, gastos públicos em obras relacionados a esportes têm zero impacto sobre a economia, já que os benefícios de emprego projetados são acompanhados de perdas de emprego associadas a aumento dos impostos ou de cortes de custos em outras partes do sistema”.

Matheson também argumenta que os relatórios de impacto econômico das Olimpíadas muitas vezes ignoram os custos significativos para coisas como segurança e confundem “infra-estrutura geral” com “infra-estrutura esportiva”.

As coisas que você precisa para organizar um torneio de duas semanas de bobsled são diferentes das que você precisa para a vida diária.

A representação mais óbvia disso são os “elefantes brancos” — estádios caros que agora ficam vazios. De Sarajevo a Atenas e Sochi, ex-cidades-sede estão cheias de edificações que serviram a um propósito específico por duas semanas e, em seguida, caíram imediatamente em desuso.

Os países, pelo menos as democracias, não estão mais comprando o argumento do benefício econômico. Como resultado, podemos estar a caminho de uma era em que apenas os governos não-democráticos vão querer sediar os Jogos Olímpicos.

Depois de abandonar a licitação, o partido no poder em Estocolmo emitiu uma declaração dizendo que não tinha utilidade para uma infra-estrutura olímpica:

“Organizar uma Olimpíada de Inverno significaria um grande investimento em novas instalações esportivas, por exemplo, para o bobsled e o luge [trenó na neve]. Não há qualquer necessidade para esse tipo de instalação depois de uma Olimpíada”.

Os dois concorrentes finais para os Jogos Olímpicos de 2022 são Almaty, Cazaquistão – onde o primeiro e único presidente, Nursultan Nazarbayev, ganhou com 95% dos votos na eleição mais recente e foi duramente criticado por monitores internacionais – e Pequim.

O Comitê Olímpico Internacional vai escolher a sede de 2022 em 31 de julho de 2015.

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