Os produtos brasileiros que serão beneficiados pelo fim do tarifaço

Atualizado em 20 de fevereiro de 2026 às 15:52
Colheita de café. Foto: Reprodução

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que suspendeu o tarifaço de Donald Trump pode beneficiar produtos brasileiros, como café solúvel, uva, mel e pescados, segundo o g1. Os itens haviam sido excluídos das isenções concedidas pelo governo americano no final de 2025.

Naquele momento, o Brasil já havia obtido isenção de tarifas sobre café em grão e carne bovina, mas 45% dos produtos, incluindo café solúvel, mel e uva, continuaram afetados. A nova decisão judicial pode abrir caminho para a revisão dessas taxas.

O café solúvel brasileiro, que representou 10% das exportações da indústria de café para os EUA em 2024, foi um dos produtos mais afetados. Embora o grão tenha sido isento, o solúvel sofreu uma queda de 50% nas exportações para os EUA após a imposição do tarifaço de 40% em julho de 2025.

O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, apontou que, com a nova medida, o Brasil espera recuperar a competitividade perdida para outros mercados, como a Rússia, que passou a liderar a importação de café solúvel brasileiro.

Donald Trump durante o anúncio do tarifaço. Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

O setor de uvas também sofreu perdas com o tarifaço. Os EUA foram o destino de 23% das uvas exportadas pelo Brasil em 2024, mas a imposição de tarifas elevadas resultou em uma queda de 73% nas vendas para o mercado americano no final de 2025.

Eduardo Brandão, da Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), afirmou que, apesar da exclusão da uva das isenções, o produto foi realocado para outros mercados, mas com a redução da demanda, o poder de negociação e os preços foram afetados.

O mel, que já enfrentava uma taxa de importação de 8,04% nos EUA, também foi impactado pelo tarifaço. O país representa cerca de 80% das exportações de mel do Brasil. A medida prejudicou contratos futuros e afetou a competitividade do produto no mercado americano, com consequências diretas para os apicultores que dependem das vendas para o exterior.

O setor de pescados também foi excluído das isenções, afetando um mercado de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) anuais. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo, destacou a importância do mercado americano para o setor, especialmente para pequenas e médias empresas, que têm maior sensibilidade às tarifas.

O Brasil perdeu espaço para concorrentes internacionais, como o Chile e o Peru, que conseguiram vantagens comerciais na negociação com os EUA.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.