Os progressistas devem torcer pelo Brasil na Copa do Mundo? Por Renato Janine Ribeiro

PUBLICADO NO FACEBOOK DO AUTOR

Coisa antiga, essa de torcer ou não pelo Brasil na Copa. Que diferença política isso faz? Nenhuma.
Quem quiser, torça, quem não, não.

Lembro Paulo: “O que come não julgue o que não come; e o que nao come, não julgue o que come”, no momento crucial em que faz passar o cristianismo de uma heresia dentro do judaísmo a projeto de uma religião universal.
Com isso, Paulo (o apóstolo, o santo) distingue entre as coisas essenciais para a salvaçao e aquelas que não o são, abrindo um espaço gigantesco para a autonomia do indivíduo: aquelas coisas que são indiferentes para salvar a alma.
Traduzindo na polêmica que se deu entre os que odiavam a ditadura em 1970: torcer era questão de foro íntimo, indiferente para derrubar ou manter a ditadura.
Traduzindo na micro polêmica de hoje: torcer é indiferente para manter ou terminar o golpe.
O erro, o crime enorme dos chamados totalitarsmos – que têm seu modelo na Inquisição – é tornar significantes todas as ações, mínimas que sejam, do indivíduo: nada é indiferente, tudo significa – positiva ou negativamente – para a salvação da alma ou a salvação do mundo.
(Óbvio que nao estou chamando de totalitário o mini debate sobre torcer ou nao na Copa, só estou dizendo que é déplacé, fora do lugar).
Porque essa postura torna impossível a compreensão do mundo atual, quanto mais viver nele.

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