Os que não sabem quase nada. Por Moisés Mendes

Atualizado em 8 de março de 2026 às 23:08
Fernando Haddad, ministro da Fazenda do governo Lula. Reprodução

Para os que ainda se espantam com as imperfeições da democracia, mais visíveis em períodos eleitorais. Muitos brasileiros não sabem quem é o ministro que cuida da economia e tenta, e consegue, controlar a inflação.

Segundo o Datafolha, Fernando Haddad é uma boa alternativa a Lula e empataria com Flávio Bolsonaro. Teria 41% dos votos hoje, contra 43% do filho ungido.

E aí aparece o problema, que não é só de Haddad, mas impressiona porque ele já foi candidato a presidente em 2018.

O pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro

Segundo o levantamento, 14% não sabem quem é Haddad, que também já foi prefeito de São Paulo e é hoje o pilar do ministério de Lula, com uma performance excepcional como gestor da economia.

De cada grupo de 20 pessoas, três não sabem dizer quem ele é. E, se não sabem, não desconfiam de qual seria sua tarefa no governo.
E aí não tem como não perguntar: por que essas pessoas não sabem o que parece que deveriam saber?

Temos então parte da resposta nesses dados de pesquisas do mesmo Datafolha. Vinte e cinco por cento dos brasileiros têm medo de se vacinar e vacinar os filhos contra doenças que existem desde a Idade Média.

Oito por cento acreditam que a Terra é plana. E quarenta e três por cento dos brasileiros desconfiam das urnas eletrônicas. Por que todos deveriam conhecer Haddad?

E tem mais essa, também do Datafolha sobre a eleição em São Paulo: quando os pesquisadores perguntam o quanto as pessoas conhecem os candidatos, 50% conhecem Haddad e 47% conhecem o
extremista moderado Tarcísio de Freitas.

Mas Tarcísio venceria Haddad por 52% a 37% numa disputa de segundo turno. Entenderam? A maioria vota em quem menos conhece.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/