“Os soldados estão presos porque não é o governador que fala em matar que vira réu”, afirma especialista

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel
Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

Publicado originalmente na Rede Brasil Atual 

Ao todo dez militares, de um grupo de 12 que participaram de uma ação do Exército em Guadalupe, na zona norte do Rio de Janeiro, que matou o músico Evaldo dos Santos Rosa, foram presos nessa segunda-feira (8) pelo Comando Militar do Leste (CML).

O músico teve o carro alvejado nesse domingo (7) por 80 tiros disparados pelos oficiais que, supostamente, teriam confundido o veículo com o de criminosos. O caso, que ganhou repercussão pela brutalidade, soma-se a denúncias de diversos moradores das periferias fluminenses. Dois dias antes do assassinato de Rosa, o jovem Christian Felipe Santana de Almeida Alves, de 19 anos, já havia sido morto com um tiro nas costas pela blitz do Exército.

Na prática, de acordo com o diretor do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), José Carlos Abissamra Filho, a letalidade revela o tamanho do “equívoco” sobre como vem sendo entendida a segurança pública do país, cujos responsáveis são chefes de governo como Jair Bolsonaro, Wilson Witzel e João Dória que, com seus discursos, legitimam o que o especialista considera como “política do abate e extermínio”.

“É claro que vai ter mortes e mais mortes, porque a pessoa está lá com uma arma, acha que viu um bandido e o presidente está dizendo alguma no sentido de ‘vamos exterminar’, então ele atira”, aponta. “Os soldados estão presos porque não é o governador, que fala que pode matar, que vai ficar no banco dos réus depois”, contesta, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabãnas e Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual.

De acordo com Abissamra Filho, falta preparo e não é função do Exército estar nas ruas, quando o que se precisa é investimentos nas policiais. “Tá faltando no Brasil menos Twitter e debate popularesco e um pouco mais de seriedade com os cidadãos e policiais”, avalia.

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