Ouro venezuelano bloqueado na Inglaterra terá uso auditado por empresas internacionais

Atualizado em 16 de agosto de 2026 às 14:44
Nicolás Maduro ao lado de barras de ouro. Foto: Divulgação

Os recursos provenientes do eventual desbloqueio das barras de ouro venezuelanas congeladas no Banco da Inglaterra serão depositados em uma conta do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos antes de serem utilizados para atender às vítimas dos terremotos de junho. A aplicação do dinheiro no país será fiscalizada por empresas internacionais de auditoria.

O parlamentar Ramón López, integrante da delegação da Assembleia Nacional de 2015 nas mesas de diálogo com o governo da presidente Delcy Rodríguez, afirmou que a utilização do ouro venezuelano mantido no Banco da Inglaterra será submetida a uma auditoria independente para garantir transparência nos gastos.

Segundo López, os recursos serão destinados à recuperação dos danos provocados pelos terremotos de 24 de junho. O plano prevê a reconstrução e recuperação de moradias, a construção de escolas e a reativação de unidades de saúde que tiveram suas estruturas afetadas pelos tremores.

Nas reservas do Banco da Inglaterra estão aproximadamente 31 toneladas de ouro venezuelano, avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões.

O acordo prevê a criação de um fundo especial submetido ao acompanhamento de auditores externos. Técnicos deverão produzir relatórios periódicos sobre a execução física dos projetos de infraestrutura financiados com os recursos.

Fontes de grupos de oposição afirmaram a veículos de imprensa que o desbloqueio dos ativos mantidos no exterior não estaria condicionado a exigências políticas no âmbito das negociações.

Venezuela tem 30 toneladas de ouro depositadas nos cofres do Banco da Inglaterra. Foto: Divulgação

Desbloqueio do ouro enfrenta desafios

Analistas financeiros avaliam que o governo venezuelano precisará considerar cuidadosamente a liberação do ouro depositado no Reino Unido, já que o ativo poderá ser fundamental em um eventual processo de reestruturação da dívida externa do país.

O patrimônio venezuelano identificável no exterior é estimado entre US$ 40 bilhões e US$ 45 bilhões. Grande parte desses ativos, porém, permanece bloqueada, retida ou envolvida em disputas judiciais e sujeita a sanções internacionais.

O valor exato da dívida externa que a Venezuela precisará refinanciar ainda é incerto. Por isso, uma auditoria deverá ser realizada antes de qualquer processo de reestruturação, que o governo interino pretende iniciar antes do fim do ano.

As estimativas para o passivo do Estado venezuelano variam entre US$ 120 bilhões e US$ 160 bilhões. Em um cenário considerado favorável, o país teria de desembolsar entre US$ 60 bilhões e US$ 80 bilhões, caso seja obtido um desconto de aproximadamente 50% sobre a dívida durante as negociações.

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