Pacheco, acordando da sesta, poderia tirar Bolsonaro do segundo turno? Por Moisés Mendes

Jair Bolsonaro e Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Imagem: Mateus Bonomi/Agif – Agência de Fotografia

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Por Moisés Mendes

A direita que se considera de centro procura desesperadamente um candidato, para que consiga resgatar o sonho que virou pesadelo em 2018: tirar Bolsonaro do segundo turno em 2022.

A direita só usou Bolsonaro para uma empreitada e não consegue se livrar do genocida. Os tucanos tentam criar uma novidade e falam em Tasso Jereissati, e Gilberto Kassab tenta colocar Rodrigo Pacheco e Luiza Trajano na pré-disputa.

Os nomes do presidente do Senado e da empresária são jogados nos jornais e nas redes, para que tentem avaliar reações.

Pacheco é conhecido pelos colegas e pelos filhos de Bolsonaro, mas até a campanha é possível torná-lo um nome nacional, desde que consiga mudar um pouco aquela expressão de quem está sempre acordando da sesta.

O candidato do centro é um dilema não só para a direita, mas também da esquerda. Junte mil militantes de partidos de esquerda e tente chegar a um consenso sobre quem seria o adversário ideal.

A maioria do PT quer Bolsonaro, porque acredita na capacidade de Lula de atrair o centro que Haddad não conseguiu puxar para a sua candidatura, pelas circunstâncias terríveis de 2018.

A direita precisa se desfazer de Bolsonaro, porque está certa de que não há como investir toda a energia de novo num sujeito que agora tem a marca de um genocídio. O desgaste é insuportável.

A direita imagina alguém que junte os votos da direita, do centro e da extrema direita contra Lula. Porque é claro que ninguém imagina um segundo turno contra outro candidato que não seja Lula. É Lula contra alguém.

Mas teriam que fabricar um nome, mesmo que seja de alguém já fabricado há muito tempo, como Jereissati.

Jereissati parece não ter vitalidade para enfrentar uma campanha com o furacão Lula. Os outros são os que todos conhecem, João Doria, Amoedo, Luciano Huck, Eduardo Leite, Mandetta e mais Ciro Gomes, que se aliou a eles em manifesto e deixou claro que essa é a sua turma.

As pesquisas só vão dizer quem pode ir para o páreo bem mais perto. E aí Lula terá de armar sua estratégia, de acordo com o nome que se apresentar como competitivo.

Há complicadores. As grandes interrogações envolvem até o impeachment de Bolsonaro. Seria mesmo vantajoso (pra quem?) ver Bolsonaro tombar agora, criando uma confusão que talvez tire o foco de Lula?

Não é uma dúvida pequena. O impeachment de Bolsonaro pode atrair para a boca de cena outros protagonistas até agora coadjuvantes. Mas quem? Rodrigo Pacheco? Só se alguém conseguir acordá-lo.

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