Padilha chama Moro de “samurai ronin” e mostra que também não entende nada de cultura japonesa. Por Zambarda

Padilha e seu samurai-ronin

Em seu artigo para a Folha de S.Paulo, ao criticar o pacote anticrime do superministro Sérgio Moro, o cineasta José Padilha relembra que chamava o ex-juiz de “samurai ronin” da Operação Lava Jato.

Diz que o apelido foi dado devido à “independência política” da “conduta” do então magistrado.

No final do texto, Padilha também relata que Moro foi de “samurai ronin” a “antiFalcone” e que seu pacote anticorrupção no governo Bolsonaro “é, também, um pacote pró-máfia”.

Para além das críticas às milícias, às acusações de corrupção que rondam o novo governo, o diretor de “Tropa de Elite” e “O Mecanismo” comete um grave erro de conceito.

Os samurais, chamados também de bushi no Japão, eram guerreiros do período feudal que serviam aos senhores e também ao imperador.

O conceito de ronin é praticamente o oposto.

Chamados de “guerreiros sem honra”, eles trabalharam para senhores que haviam sido assassinados.

Sem rumo, os ronin tornavam-se mercenários, nômades e frequentemente eram chamados de desertores.

Numa cultura antiga que valorizava a honra, o samurai cometia haraquiri, o suicídio ritual, caso ele caísse em desgraça.

Hoje, o espírito dos ronin sobrevive em jovens que não conseguem entrar na universidade e estão desempregados. Sem o feudalismo, os japoneses transformaram o mundo do trabalho no norte de suas vidas.

Padilha parece ter assistido a filmes ruins de kung fu e saiu dando caneladas a esmo.

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