
A quinta fase da Operação Compliance Zero colocou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) na mira da Polícia Federal por suspeitas ligadas ao Banco Master e ao ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. A investigação apura corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo a PF, a inclusão do parlamentar entre os alvos se baseia em mensagens encontradas no celular de Vorcaro, registros de voos e na atuação legislativa do senador em propostas que poderiam beneficiar bancos médios, como o Master. A operação cumpre 10 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal.
Em contrapartida, o banqueiro arcava com custos de viagens e compromissos luxuosos do presidente do PP, que foi ministro-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro. Entre os registros, está uma hospedagem no Park Hyatt New York, hotel cinco estrelas localizado em Manhattan, em Nova York, nos Estados Unidos, paga pelo dono do Banco Master.
Um dos principais pontos da investigação são conversas entre Vorcaro e a então noiva, Martha Graeff. Nas mensagens, o banqueiro apresenta Ciro como uma pessoa próxima. “É um senador. Muito amigo meu”, escreveu. Em seguida, completou: “Quero te apresentar. Um dos meus grandes amigos de vida”.
Em outro diálogo, de agosto de 2024, Vorcaro comemorou uma emenda apresentada por Ciro relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu o banqueiro. Na sequência, afirmou: “Todo mundo me ligando. Sentiram o golpe”.
A proposta previa elevar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para até R$ 1 milhão por depositante. Para os investigadores, a medida poderia favorecer diretamente o Banco Master, que usava a proteção do fundo como instrumento para atrair investidores a seus CDBs. O texto acabou ficando fora da redação final aprovada pelo Congresso.
A decisão judicial também cita diálogos sobre despesas atribuídas a Ciro e à mulher dele, Flávia. Em uma conversa, Léo Serrano, apontado como operador de Vorcaro, perguntou ao banqueiro: “Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?”. Vorcaro respondeu: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.

Outro trecho envolve conversas entre Daniel Vorcaro e o primo Felipe Vorcaro, apontado como operador financeiro do ex-controlador do Master.
Os investigadores destacam menções a pagamentos de “300k” (R$ 300 mil) e “500k” (R$ 500 mil) ligados a Ciro. Em 30 de junho de 2025, Daniel questionou: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro? [SIC]”. Felipe respondeu: “Vou ver se dou um jeito aqui… Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”

A PF também cita episódio em que Vorcaro teria orientado a retirada de envelopes na residência do senador com minutas de projetos de lei de interesse do banco. Segundo a investigação, houve cuidado para que o transporte dos documentos não fosse vinculado ao parlamentar nem ao Banco Master.
A defesa de Ciro nega irregularidades. Por meio da assessoria, o senador afirmou que “manter diálogos por mensagens com centenas de pessoas não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”. Sobre registros de voos, disse que participou de evento esportivo em São Paulo, mas usou transporte terrestre.