
Colaboradores da Mynd, uma das maiores agências de influência digital do Brasil, estão envolvidos em negociações para a publicação de conteúdos pró-Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, e contra o Banco Central em páginas de fofoca nas redes sociais.
A empresa afirma que não teve envolvimento direto nessas negociações e que seus prestadores de serviço não trabalham exclusivamente para a agência. O Governo de São Paulo também negou qualquer investimento público em tais publicações.
Segundo a Folha de S.Paulo, a negociação começou no final do ano passado, quando Kamilla Cunegundes, relações públicas da Mynd, procurou um dono de página de fofoca para orçar a divulgação de conteúdo favorável ao governador Tarcísio.
As publicações propostas incluíam imagens e textos sobre conquistas de Tarcísio, como a redução de roubos e a aprovação de projetos. Além disso, houve sondagens sobre publicações críticas ao Banco Central, especialmente durante a crise envolvendo o Banco Master.
O relacionamento entre a Mynd e outras agências, como a Deu Buzz, que gerencia perfis de fofoca, tem levantado questionamentos sobre a transparência nas campanhas. O Código de Defesa do Consumidor exige que publicações patrocinadas sejam identificadas como tal, algo que não ocorreu nas postagens.
As publicações em páginas de fofoca incluem apoio não apenas a Tarcísio, mas também a Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Algumas páginas também publicaram conteúdo crítico ao governo federal e a outros políticos, incluindo o presidente Lula.

O Governo de São Paulo negou que houvesse investimento público nas publicações mencionadas, alegando que suas campanhas são voltadas para informações institucionais e de utilidade pública.
A Mynd, por meio de sua assessoria, afirmou que não realiza campanhas eleitorais e que atua apenas em campanhas publicitárias, seguindo todas as regras do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). A empresa disse ter iniciado uma investigação interna sobre a conduta de seus prestadores de serviço, como Kamilla Cunegundes e a agência Deu Buzz, envolvidos na negociação das postagens.