
Ricardo Castanheira, pai de Rodrigo Castanheira, adolescente de 16 anos morto após ser agredido pelo ex-piloto Pedro Turra, filiou-se ao PL e anunciou pré-candidatura a deputado federal pelo Distrito Federal. O engenheiro, de 52 anos, afirma que decidiu entrar na política após a morte do filho, em 7 de fevereiro, e pretende defender mudanças na legislação penal.
Entre as bandeiras anunciadas por Castanheira estão a redução da maioridade penal, “punição efetiva para crimes violentos contra adolescentes, fim da fiança em crimes hediondos, agilidade processual e revisão dos benefícios de progressão para esse tipo de crime”.
“Eu não decidi entrar pra política. Fui empurrado. No dia 7 de fevereiro, quando o Rodrigo morreu, a minha vida acabou de um jeito e começou de outro. Sou engenheiro, sou empresário, sou pai. Política nunca tinha sido o meu plano. Mas nesses três meses, eu fui entendendo uma coisa: o que aconteceu com o meu filho não é exceção, é rotina nesse país. E, enquanto isso for normal, isso vai continuar acontecendo”, disse Ricardo Castanheira ao Metrópoles.
Segundo ele, a escolha pelo PL ocorreu por afinidade com pautas defendidas pelo partido, especialmente a redução da maioridade penal, tema associado ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Castanheira se define como “conservador nos costumes” e diz defender a família, um Estado menor e punição proporcional para crimes violentos.
O processo contra Pedro Turra está em andamento no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). A audiência de instrução foi marcada para 25 de maio. Turra está preso preventivamente e foi acusado pelo Ministério Público de homicídio doloso pela morte de Rodrigo Castanheira.

Ricardo afirma que acompanha o caso com advogados e espera que a investigação alcance outras pessoas que estavam no local na noite da agressão.
“O que eu sinto, como pai, é a expectativa de que a investigação avance também sobre todas as pessoas que estavam ali naquela noite. Eu não vou comentar mérito processual, isso não me cabe. Mas eu posso dizer que a gente tá acompanhando cada movimento, com advogados, e que a nossa luta não termina no agressor direto, ela é pra que esse tipo de violência pare de ser tratada como exceção”, afirmou.
Rodrigo morreu em 7 de fevereiro, após ficar internado na UTI do Hospital Brasília, em Águas Claras, desde 22 de janeiro. O adolescente morava no Distrito Federal, estudava no Colégio Vitória Régia, havia jogado nas categorias de base do Ceilândia Esporte Clube e participava como jovem aprendiz de um programa do Senac-DF.
Segundo a investigação, a confusão começou após provocações envolvendo Turra e um amigo da vítima. Vídeos gravados no local registraram a agressão contra Rodrigo, que ficou desacordado e precisou ser socorrido. A morte foi confirmada pelo advogado da família, Albert Halex.
O Ministério Público do Distrito Federal pediu nova ordem de prisão contra Turra. Em coletiva, o delegado Pablo Aguiar afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos e classificou seu comportamento como “sociopata”.
A defesa contestou a declaração. “O delegado não tem competência para definir o comportamento psicológico de ninguém. Isso pode configurar abuso de autoridade”, disse o advogado Enio Barros.