
A Polícia Federal afirmou que Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, continuou solicitando serviços ilícitos mesmo após a prisão do filho, ocorrida em novembro do ano passado. Segundo a investigação da Operação Compliance Zero, ele atuava como “solicitador e beneficiário” de ações realizadas pelo grupo conhecido como “A Turma”, suspeito de promover ameaças e tentar acessar informações sigilosas sobre investigações em andamento.
Henrique foi preso nesta quinta (14) durante a sexta fase da operação. A decisão do ministro André Mendonça afirma que a PF identificou atuação conjunta entre pai e filho em uma “engrenagem financeira” voltada ao suporte das atividades investigadas. Segundo o documento, o pai mantinha contato frequente com operadores do grupo e financiou parte das ações ilegais.
O advogado de Henrique Vorcaro, Eugênio Pacelli, contestou a prisão e afirmou que a decisão “se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”.
As investigações ganharam força após a apreensão do celular do escrivão aposentado da PF Marilson Roseno, preso em março. Conversas encontradas no aparelho indicariam que Henrique seguia pedindo monitoramento ilegal e acesso a informações sigilosas mesmo após o avanço da operação.

Em uma mensagem enviada em janeiro deste ano, Henrique escreveu: “no momento em que estou é que preciso de vocês”, frase interpretada pela PF como referência direta ao grupo investigado.
As mensagens também mostram cobranças financeiras entre os envolvidos. Segundo a decisão judicial, Marilson afirmou que estava “segurando uma manada de búfalo” e pediu pagamentos para manter as atividades. O documento relata que Henrique respondeu que enviaria “400” assim que recebesse recursos. Ele rebateu afirmando que o ideal seria “800k” e mencionou o nome de “Phillipi”.
A investigação aponta que a referência era a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, suspeito de integrar uma milícia privada ligada ao esquema investigado. Já a letra “F”, mencionada nas conversas, seria referência a Fabiano Zettel, também preso no caso.
Segundo a PF, Marilson ainda acionou três policiais federais em 2024 para consultar indevidamente sistemas internos da corporação em busca de informações sobre um inquérito envolvendo Henrique Vorcaro.
A decisão de André Mendonça afirma que, nesta fase da investigação, ficou evidenciado que o empresário “não apenas se beneficiava dos serviços ilícitos da ‘Turma’, mas os solicitava, os fomentava financeiramente e permanecia em contato com seus operadores”.