Pan de 87: o jogo em que Oscar destruiu os EUA e “criou” o Dream Team

Atualizado em 17 de abril de 2026 às 18:23
Oscar Schmidt na final do Pan de 1987. Foto: Divulgação

O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt deixou um legado imensurável no basquete brasileiro. Sua trajetória é marcada por feitos que não só elevaram o esporte no Brasil, mas também impactaram o basquete mundial.

O momento que consolidou sua carreira aconteceu há 39 anos, quando o Brasil conquistou a histórica medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, disputados em Indianápolis, nos Estados Unidos, vencendo a seleção americana por 120 a 115 na final.

No dia 23 de agosto de 1987, diante de 16 mil espectadores no Market Square Garden, Oscar Schmidt, o “Mão Santa”, brilhou intensamente ao marcar 46 pontos. Sua atuação foi decisiva para a vitória do Brasil, quebrando a invencibilidade dos Estados Unidos em casa, que até aquele momento somava mais de 60 jogos oficiais sem derrotas.

Até aquele torneio, os Estados Unidos eram considerados imbatíveis, com uma equipe composta apenas por jogadores universitários, já que a NBA ainda não permitia a participação de seus atletas em competições internacionais.

A derrota para o Brasil foi um marco que reverberou no basquete americano, levando a FIBA a permitir a entrada de jogadores da NBA em torneios internacionais. Esse movimento culminou na formação do icônico Dream Team, que, em 1992, conquistou o ouro nas Olimpíadas de Barcelona.

Oscar não foi o único grande nome da final do Pan. O ala Marcel também teve uma performance notável, marcando 31 pontos. Além disso, Guerrinha, Gérson e Israel contribuíram com atuações sólidas, garantindo a vitória histórica para o Brasil.

A partida não apenas coroou Oscar como herói nacional, mas também destacou a estratégia do time brasileiro, que utilizou a linha de três pontos de maneira inovadora. Na época, a linha de três estava em uso desde 1984, mas ainda era uma jogada pouco explorada em competições internacionais.

A atuação dele nos Pan-Americanos foi um divisor de águas na história do basquete, especialmente no uso estratégico da linha de três pontos. Trinta anos depois, foi lançado o documentário “Revolução dos 3”, que resgatou esse momento crucial para o esporte.

No total, Oscar anotou sete bolas triplas durante a final, tornando-se um dos pioneiros no uso eficaz do arremesso de longa distância. Ele também é lembrado por suas estatísticas impressionantes ao longo de sua carreira internacional.

Com 33 participações em Campeonatos Mundiais, ele é o segundo jogador que mais vezes vestiu a camisa da Seleção Brasileira, ficando atrás apenas de Ubiratan. O “Mão Santa” é o maior cestinha da história da seleção, com 7.693 pontos, e detém o recorde de mais pontos marcados nas Olimpíadas, com 1.093 pontos, fruto de suas cinco participações nos Jogos.

Sua carreira foi amplamente reconhecida, com a inclusão de seu nome na lista dos 50 maiores jogadores da FIBA em 1991, um feito que solidificou sua posição como uma lenda do basquete mundial.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.