Panamá pede desculpas ao Brasil após reter e deportar o jornalista Franklin Martins

Atualizado em 8 de março de 2026 às 22:51
Franklin Martins

O governo do Panamá pediu desculpas ao Brasil após a retenção e deportação do jornalista Franklin Martins, ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pedido foi feito pelo chanceler panamenho Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez em carta enviada ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

No documento, o chanceler explicou que a retenção ocorreu devido à aplicação automática de procedimentos migratórios baseados em sistemas de alerta utilizados pelas autoridades do país. Ele afirmou ainda que o episódio não representa a consideração do governo panamenho pelo jornalista e declarou que Franklin Martins será “sempre bem-vindo no Panamá”.

A carta também destacou o momento das relações diplomáticas entre os dois países. “As relações entre nossos países atravessam um excelente momento, caracterizado por uma cooperação estreita, um diálogo político fluido e uma amizade sincera entre nossos governos e entre os presidentes de ambas as nações”, escreveu o ministro panamenho.

O episódio ocorreu na sexta-feira (6), quando Franklin desembarcou no aeroporto da Cidade do Panamá durante uma conexão aérea rumo à Guatemala. Segundo relato do próprio jornalista, agentes de imigração o abordaram ao sair do avião, examinaram seu passaporte e o conduziram para uma sala reservada do aeroporto.

No local, ele foi interrogado por policiais e impedido de continuar a viagem. Após permanecer retido por algumas horas, Martins foi colocado em um voo de retorno ao Brasil.

Durante o interrogatório, segundo o ex-ministro, os agentes fizeram perguntas sobre dados pessoais e também sobre uma prisão ocorrida em 1968, durante a ditadura militar brasileira. Martins afirmou ter explicado que a detenção ocorreu por razões políticas relacionadas à luta contra o regime militar.

Ainda assim, os agentes informaram que ele não poderia seguir viagem para a Guatemala. De acordo com os policiais, a decisão estaria baseada em uma lei migratória de 2008 que impede a entrada ou trânsito de estrangeiros com antecedentes relacionados a crimes considerados graves.

O jornalista relatou ainda que solicitou contato com a Embaixada do Brasil no Panamá, mas o pedido não foi atendido. Segundo ele, integrantes da Polícia Nacional panamenha mencionaram que a aplicação da lei migratória havia se tornado mais rígida após decretos recentes do governo.

Martins também citou acordos de segurança firmados entre Estados Unidos e Panamá. “Em 2025, os EUA e o Panamá assinaram acordos bastante abrangentes na área da segurança”, afirmou.

O caso provocou reações no Brasil. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), declarou nas redes sociais que Franklin Martins foi “injustamente impedido” de seguir viagem e classificou a decisão como “absurda e inexplicável” entre países que mantêm relações diplomáticas próximas.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também divulgou carta aberta ao embaixador do Panamá no Brasil criticando a retenção e a deportação do jornalista. A entidade afirmou que Martins estava apenas em trânsito no aeroporto e que foi impedido de entrar em contato com a representação diplomática brasileira.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.