Pandemia: ex-ministros da Saúde incluem economista necroliberal Solange Vieira na denúncia contra Bolsonaro à ONU e OEA

Solange Vieira, com seus novos aliados, representantes do necroliberalismo

Uma declaração genocida da economista Solange Vieira, braço direito de Paulo Guedes, foi encaminhada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e à Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Michele Bachelet.

É mais uma prova juntada na denúncia que três ex-ministros da Saúde fizeram às duas instituições contra Jair Bolsonaro, por implementar uma política genocida no caso da pandemia da covid-19.

Em reunião no Ministério da Saúde, logo depois que surgiram os primeiros casos da doença no Brasil, Solange Vieira foi informada de que as maiores vítimas da pandemia seria os brasileiros com mais de 60.

Julio Croda era à época diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do ministério, e ouviu ela comentar:

“É bom que as mortes se concentrem entre os idosos… Isso melhorará nosso desempenho econômico, pois reduzirá nosso déficit previdenciário.”

O relato de Croda foi publicado em uma reportagem especial da Reuters, distribuída em língua inglesa para todo o mundo.

Solange responde pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), função que passou a ocupar no mês da reunião do Ministério da Saúde.

De acordo com a Reuters, a declaração dela foi confirmada por outro funcionário do Ministério da Saúde, que pediu anonimato.

Os ex-ministros da Saúde Ademar Arthur Chioro, Alexandre Padilha e Humberto Costa viram no relato a confirmação da denúncia que haviam feito nas cortes internacionais, na qual disseram:

“Enfatizamos, por fim, que as ações deletérias e irresponsáveis do presidente Bolsonaro no combate à epidemia do Coronavírus no Brasil colocam em risco não apenas a população brasileira, mas também a população mundial e todo o esforço feito pela OMS para restringir o alcance e a duração da pandemia. O Brasil é um país gigantesco com uma população de 210 milhões de habitantes. Caso as diretrizes irresponsáveis do presidente Jair Bolsonaro sejam efetivamente implantadas, nosso país se converterá num grande foco descontrolado de propagação do Coronavírus a ameaçar todo o planeta.”

Os ex-ministros da Saúde apelam para que as cortes recomendam ao

Governo Brasileiro que implemente e execute ações preventivas e protetivas da saúde para enfrentamento da infecção humana pelo Coronavírus.

O argumento central deles é que Bolsonaro criou um falso dilema entre o combate à pandemia com isolamento social e a salvação da economia.

Prega abertamente o fim do isolamento social, único caminho recomendado como eficaz pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Ressaltamos que, atualmente, o presidente Bolsonaro talvez seja o único chefe de Estado que defende abertamente o abandono das medidas recomendadas pela OMS e pela ciência médica, contrariando, dessa forma, a opinião pública internacional e colocando em risco o esforço mundial de combate à pandemia”, afirmaram.

A declaração da economista de confiança do ministro Paulo Guedes pode indicar que a posição de Bolsonaro não seja fruto da ignorância, mas de uma ação dolosa contra a população, sobretudo as mais pobres, maiores vítimas hoje da pandemia no Brasil.

“Acrescentei mais uma denúncia no processo que já abrimos junto à ONU, agora sobre a fala de Solange Vieira, braço forte de Guedes, que não se constrange ao comemorar que ‘as mortes por coronavírus se concentre em idosos’. Governo genocida que acha que o lucro de alguns é mais importante que o povo”, disse ao DCM o ex-ministro Alexandre Padilha, atualmente deputado federal.

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PS: Solange Vieira é um tipo camaleão na política, sempre trabalhando de acordo com as diretrizes do governo a que serve, o que indica que sua fala reflete, efetivamente, as orientações superiores.

Economista do BNDES desde 1993, ela ocupou vários cargos de confiança no governo de Fernando Henrique Cardoso. É apontada como responsável pela criação do fator previdenciário, que elevou a idade média das aposentadorias.

No governo Lula, foi presidente da Agência Nacional da Avião Civil, por indicação do então ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Agora, serve a Guedes e Bolsonaro. Curioso é que, segundo relato do jornalista Matheus Leitão, ela era considerada desenvolvimentista.

Hoje, como se vê, ela pode ser classificada como necroliberal.

Solange Vieira não respondeu ao pedido de entrevista dos jornalistas da Reuters, para comentar a declaração genocida.

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