Pandemia: Movimentos de periferia de SP reclamam que Covas e Doria relegam população ao caos

Covas e Doria (Imagem: reprodução)

Lideranças e organizações que estão lutando nas periferias de São Paulo para enfrentar a pandemia denunciam que Bruno Covas, prefeito da capital, e João Doria, governador do Estado, só escutam comerciantes e prefeitos para a tomada de decisões na crise do coronavírus.

A população, segundo eles, é sempre relegada à própria sorte.

Reivindicam investimentos e ações para atender as famílias afetadas, especialmente nas periferias.

Leia a nota:

Nós, lideranças comunitárias, representantes de comunidades, entidades e organizações comunitárias e de territórios da Brasilândia, Heliópolis, Paraisópolis, Raposo Tavares, Zona Leste e Jabaquara vimos a público para informar que nos reunimos virtualmente para trocar experiências e informações sobre como cada um estava enfrentando à Pandemia de Covid-19 e decidirmos formar uma Rede para articular nossas ações e reivindicações que são comuns das periferias da Cidade de São Paulo.

Nossas lideranças, entidades e organizações estão em seus territórios, na maioria das vezes sem qualquer apoio dos poderes públicos, desenvolvendo ações de solidariedade com as famílias mais vulneráveis para combater a fome coletando alimentos e distribuindo cestas básicas, produzindo e distribuindo máscaras, alertando e conscientizando com carros de som sobre a importância de cuidados com higiene e isolamento social, mapeando as ocorrências de contágio e mortes, ajudando membros da comunidade e famílias a cumprirem a quarentena da melhor maneira possível, produzindo máscaras escudos e distribuindo para os profissionais de saúde e reivindicando dos poderes públicos, mais especificamente da Prefeitura e do governo do Estado investimentos em equipamentos, programas e ações emergenciais em nossas regiões.

Organizamos sozinhos ou em parcerias com instituições universitárias os observatórios de lutas sociais, problemas urbanos e agora do Covid-19 para obtermos e analisarmos dados e informações que melhor direcionem nossas ações e reivindicações.

Temos consciência de que se o Governo Federal estivessem exercendo a liderança das articulações e esforços necessários em consonância com as esferas estaduais e municipais de governo e seguindo as orientações das autoridades sanitárias, estaríamos em outro patamar de enfrentamento da Pandemia e retorno à normalidade do dia-a-dia da nossa sociedade, mas não é o que acontece.

Como se sabe, o Covid-19 entrou em nossa Cidade e País através de pessoas das classes médias e ricas que viajaram para a Europa e passaram a contaminar os seus parentes e vizinhos nos bairros mais nobres e depois o vírus se espalhou para os bairros periféricos com velocidade muito grande e hoje ele contamina e mata com muito mais força os moradores dos bairros das periferias e os mais pobres. O mais terrível disso é que os moradores das comunidades dessas regiões, por viverem em moradias muito adensadas como as favelas e conjuntos habitacionais, têm mais facilidade de contraírem o Covid-19 e de cumprirem o isolamento social e a quarentena, somado à tradicional insuficiência de equipamentos e profissionais de saúde.

Por isso que nós exigimos sermos ouvidos, através de audiências específicas, pelo Prefeito e Governador para podermos expor nossos pontos de vistas sobre as medidas, ações e investimentos em nossas regiões.

Notamos que essas autoridades só escutam prefeitos e representantes do comércio como os donos de shoppings e por isso acabam tomando decisões temerárias como essa última do afrouxamento do isolamento social com a reabertura de comércio e serviços. Perguntamos: qual a necessidade de reabrir os shoppings bem no meio do auge das mortes e contaminações sem que a Cidade tenha chegado ao pico da doença?

Nós reivindicamos, para esse período de Emergência e por conta da violência do Coronavírus sobre nossa população:

a abertura de mais hospitais de campanha nas regiões mais populosas e com maior número de contágios e mortes pelo Coronavírus;

a abertura completa dos hospitais recém inaugurados e adquiridos pela Prefeitura como o da Brasilândia e o Menino Jesus em Ermelino Matarazzo;

a testagem em massa para conhecermos com mais precisão os níveis de contaminação em nossos territórios e desenvolvermos estratégias mais eficazes para seu enfrentamento;

a instalação de centros de acolhida bem aparelhados e com profissionais capacitados e bem equipados nos CEUs e SESCs para que moradores de rua e pessoas contaminadas das comunidades possam fazer a quarentena com os devidos cuidados e sem contaminar seus parentes;

o fornecimento de alimentação escolar para todos os estudantes da rede pública e não apenas para aqueles de famílias cadastradas na Assistência Social;

o fornecimento de cestas básicas com alimentação e materiais de higiene para serem distribuídos para as famílias em situação de maior necessidade;

o pagamento de uma renda básica emergencial complementar para trabalhadores desempregados, trabalhadores informais, da cultura   e beneficiados pelo programa federal;

a revogação da Portaria que suspende os convênios do Mova – Movimento de Alfabetização de Jocens e Adultos e que seja feito o repasse dos recursos para pagamento dos monitores;

a criação por parte dos governos, de canais de diálogo com as lideranças dos territórios para tomada de decisões nas comunidades;

a suspensão das cobranças das taxas de água, luz e iluminação enquanto durar o isolamento social;

a garantia de transporte público em quantidade suficiente para que os trabalhadores possam usá-lo sentados e sem lotação;

a apresentação por parte do governo municipal de um plano de ação conjunta e articulada com as áreas de educação, saúde, assistência, transporte, trabalho e subprefeituras;

a reanálise da autorização para a abertura de shoppings, comércios e serviços não essências até que se tenha certeza de que a curva de contaminação tenha se achatado;

uma maior transparência e compartilhamento dos dados oficiais com os observatórios populares e das nossas universidades que atuam em parceria com nossas organizações.

Assinam este documento:
Rede Brasilandia Solidária; Frente Popular pela Vida na Zona Leste*; Unas/Heliópolis; Comunidade de Paraisópolis; Fórum em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Butantã/FoCA BT; Instituto Portal da Cidadania Jabaquara

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