“Papa” dos evangélicos Franklin Graham distorce a Bíblia e ataca Francisco por defender o maior de todos os mandamentos: o amor

Veja as duas fotos e se pergunte: quem é cristão?

A obsessão dos evangélicos pela orientação sexual alheia ganhou uma manifestação de peso por parte de Franklin Graham, filho de Billy Graham, já falecido, um pregador protestante conhecido em todo o mundo nas últimas décadas do século passado.

Em sua rede social, Franklin demonstrou indignação pelo comentário que o papa Francisco fez em documentário no qual defende a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

O papa disse que ninguém deveria ser descartado ou transformado em um miserável pela sua orientação sexual e que todos têm o direito de estar em uma família.

Não há nada mais cristão do que disse Francisco.

Mas Franklin Graham usou trechos da Bíblia para condenar o papa que, segundo ele, estaria anulando as “sagradas escrituras”.

Não há nada mais religioso e fundamentalista do que disse o filho de Billy Graham.

Quem conhece a Bíblia sabe que a mensagem de Cristo é, em essência, a defesa do amor como o maior dos mandamentos.

A manifestação do pastor tem sido muito compartilhada no Facebook por lideranças evangélicas em todo o mundo.

Em seu post, Graham diz que ensina Gênesis 5:2 que Deus criou macho e fêmea e os abençoou, sendo assim a primeira família consistia de um marido e uma mulher.

Na sequência, ele citou Romanos 1.26 – 27, que fica claro que Deus desaprovava quando mulheres ou homens trocavam as relações naturais, por outras contrárias à natureza, sendo consumidos pela paixão da carne.

Franklin usa o argumento de que Deus a aceita a todos, mas que essa aceitação estaria condicionada: as pessoas teriam que abandonar o pecado.

Nada mais falso.

Se Cristo é o cordeiro que tirou o pecado do mundo, que pecado ainda existe? Paulo, o Saulo de Tarso, escreve que todas as coisas são lícitas. Diz que algumas não convêm, é fato, porque trará consequências que podem ser desagradáveis.

Mas não há mais pecado no sentido de que seria um delito cuja pena seria danação eterna, no fogo do inferno. A própria Bíblia diz que Cristo, ao morrer na cruz, levou cativo o cativeiro, isto é, não há inferno.

Diz o pastor alinhado a posições da ultradireita norte-americana:

“Para que sejamos salvos, Deus requer que arrependamos de nossos pecados – o que significa que temos que nos afastar desses pecados e deixá-los – colocar nossa fé e confiança em Seu Filho, Jesus Cristo, que pagou a penalidade do pecado”, descreveu o evangelista.

Balela, frase tirada do sentido completo da Bíblia. Amor condicional não é amor.

Ele ainda enfatizou que o papa Francisco está tentando anular as escrituras sagradas ao normalizar a homossexualidade, e dizer que nossos pecados não importam e que podemos continuar vivendo como quisermos, e que se fosse assim o sacrifício de Jesus teria sido em vão.

Sim, Cristo morreu em nome da liberdade. Ser livre é fazer as próprias escolhas.

Franklin Grahan afirmou, por fim, que para fazermos parte da família de Deus precisamos nos arrepender e converter, para que os nossos pecados sejam apagados. Também disse: “Quero que todos conheçam a verdade e encontrem a paz que advém somente da entrega total”.

O que lideranças evangélicas desse naipe querem é a servidão das massas para enriquecer pregadores. Ou falsos profetas.

Se não consegue amar os LGBTs, deixe-os paz, Franklin Graham.

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