Papa Francisco dá exemplo e veta demissões no Vaticano: ‘Ninguém deve perder o trabalho’

Publicado originalmente no Vermelho

Papa Francisco. Foto: Vatican News

Em seu tradicional discurso para a Cúria Romana, o papa Francisco pediu, nesta segunda-feira (21), que todos tenham “esperança” mesmo em momentos de crises e escândalos vividos dentro da Igreja Católica. Ao falar sobre a relação entre os empregos e a pandemia do novo coronavírus, o pontífice deu o exemplo e defendeu que ninguém deve ficar sem trabalho por causa da Covid-19. Mesmo com o déficit de 53 milhões de euros no Vaticano, o líder católico vetou qualquer corte de pessoal.

“Vocês que trabalham na Santa Sé são a coisa mais importante: ninguém vai ser deixado de fora, ninguém deve perder o trabalho. Nesse momento tão difícil, ninguém vai ser demitido, ninguém deve sofrer o efeito econômico feio dessa crise”, afirmou Francisco. “Todos juntos devemos trabalhar mais, devemos nos ajudar a resolver esse problema que não é fácil: aqui não há mágica, não tem uma varinha mágica. Ajudem-me com isso, eu ajudo vocês – e todos juntos andamos adiante como uma mesma família.”

Segundo o papa, a pandemia “determinou não apenas uma crise sanitária – mas também trouxe não poucas dificuldades econômicas a muitas famílias e instituições. A Santa Sé está incluída nisso e está fazendo todos os esforços para enfrentar da melhor maneira essa situação precária”.

Para enfrentar as crises, Francisco afirmou que as análises eclesiásticas precisam trazer esperança aos povos.  “Uma leitura da realidade sem a esperança não pode ser chamada de realista. A esperança dá asas às nossas análises – que, tantas vezes, os nossos olhares míopes são incapazes de perceber”, declarou. Segundo o papa, “os problemas vão parar rapidamente nos jornais, mas os sinais de esperança viram notícia só depois de muito tempo – e nem sempre”.

“Seria bonito se parássemos de viver em conflito e começássemos a nos ouvir pelo caminho. O caminho sempre tem a ver com os verbos de movimento”, disse o papa. “A crise é movimento, faz parte do caminho. O conflito, em vez disso, é um caminho falso, é um vagar turístico sem objetivo e finalidade, é permanecer no labirinto. É só um gasto de energia e ocasião para fazer o mal.”

Com informações da Ansa Latina