Papa Leão XIV escolherá 4 novos cardeais para o Brasil; entenda

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 7:01
O papa Leão XIV. Foto: reprodução

O papa Leão 14 deverá nomear, praticamente ao mesmo tempo, os novos arcebispos de quatro das principais arquidioceses do Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Aparecida e Manaus. A decisão é considerada estratégica para o futuro da Igreja no maior país católico do mundo.

Segundo a BBC, a coincidência ocorre porque os atuais líderes dessas circunscrições atingiram a idade limite de 75 anos estabelecida pelo Código de Direito Canônico, que exige a apresentação de renúncia ao pontífice, responsável por escolher os sucessores e definir o momento da transição.

A mudança simultânea abre ao novo papa a oportunidade de imprimir sua visão na alta hierarquia católica brasileira. Especialistas avaliam que será um teste decisivo sobre o rumo do pontificado após a morte de Francisco. “O Brasil é um país estratégico para o catolicismo romano”, analisou a antropóloga e cientista da religião Lidice Meyer, professora na Universidade Lusófona de Portugal.

Ela destacou ainda que, embora o trabalho pastoral seja conduzido por padres, são os bispos que coordenam a atuação da Igreja. “Assim, a escolha desses arcebispos é extremamente importante”.

O teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes afirma que o momento representa uma chance histórica para o pontífice consolidar sua influência. “Não tenho dúvidas de que Leão 14 está diante de uma grande oportunidade. A verdade é que ele já está pensando de maneira muito estratégica. Esses nomes não serão escolhidos de forma aleatória”, disse o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Entre os atuais arcebispos estão Odilo Pedro Scherer, em São Paulo desde 2007; Orani João Tempesta, no Rio desde 2009; Orlando Brandes, em Aparecida há uma década; e Leonardo Ulrich Steiner, em Manaus desde 2019. Todos já apresentaram pedidos de renúncia por idade, mas receberam prorrogações do Vaticano.

Cardeal Odilo Pedro Scherer, cardeal Orani João Tempesta e cardeal Leonardo Ulrich Steiner. Foto: reprodução

O processo de substituição envolve consultas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e ao núncio apostólico, atualmente o italiano Giambattista Diquattro, responsável por assessorar o papa na escolha.

A relevância desses cargos também se reflete no fato de que seus ocupantes frequentemente são elevados a cardeais, integrando o grupo que elege futuros papas. Scherer chegou a ser considerado papável em 2013, enquanto Tempesta e Steiner também foram nomeados cardeais nos últimos anos. Brandes é exceção, embora seu antecessor em Aparecida tenha recebido o título.

Pesquisadores apontam que os quatro arcebispos representam correntes distintas dentro da Igreja, do perfil moderado ao progressista, o que amplia a expectativa sobre os sucessores. “São quatro bispos de formações distintas e, por conta disso, com linhas pastorais que se ajustam diante do povo ao qual eles foram designados”, comentou o teólogo Raylson Araujo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Para analistas, Leão 14 poderá optar pela continuidade das linhas atuais ou promover uma renovação alinhada ao seu próprio estilo, considerado discreto e cauteloso. As escolhas também indicarão se o pontífice pretende manter o legado de Francisco ou avançar em novas direções. “Até agora, Leão segue na esteira de seu antecessor. Aos poucos, deve deixar sua marca”, afirmou Moraes.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.