
O papa Leão XIV decidiu, nesta quinta-feira (18), substituir o cardeal conservador Timothy Dolan no comando da Arquidiocese de Nova York e nomeou para o cargo o bispo Ronald Hicks, clérigo de Illinois que já se manifestou de forma crítica à política migratória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O anúncio marca uma das principais mudanças na liderança da Igreja Católica nos Estados Unidos desde o início do pontificado do primeiro papa americano.
A escolha de Hicks é vista como um sinal de reposicionamento da Igreja americana. “Hicks representa não apenas um novo capítulo para Nova York, mas para a Igreja americana como um todo”, afirma David Gibson, especialista na Igreja dos EUA.
Segundo Gibson, “[Leão XIV] está indicando à mais proeminente sede americana um natural de Illinois muito parecido com ele próprio”.
Hicks, de 58 anos, lidera a diocese de Joliet, em Illinois, desde 2020, e anteriormente atuou como bispo auxiliar do cardeal de Chicago, Blase Cupich. Assim como Leão XIV, ele é oriundo dos subúrbios do sul de Chicago e passou anos como missionário na América Latina — o papa no Peru e Hicks em El Salvador.
Críticas a Trump e perfil reformista
Em novembro, Hicks endossou uma condenação dos bispos católicos dos EUA à repressão do presidente Donald Trump à imigração, em uma declaração que pediu “compaixão e justiça” em relação aos imigrantes.
Para Gibson, o novo arcebispo é “um homem do Meio-Oeste, de fala mansa, que abraça a linha reformista do papa Francisco e é respeitado por muitos dos dois lados das divisões de uma Igreja polarizada”.
O papa Francisco, que morreu em abril deste ano, defendeu uma agenda de reformas e maior inclusão na Igreja, o que frequentemente gerou resistência de setores conservadores do episcopado americano.
O cardeal substituído

Leão XIV retirou Dolan, arcebispo de Nova York desde 2009 e ex-presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, e escolheu Hicks para chefiar a segunda maior diocese católica do país, com cerca de 2,8 milhões de fiéis, atrás apenas de Los Angeles.
Dolan, considerado um dos principais nomes do conservadorismo católico nos Estados Unidos, havia se oferecido para renunciar em fevereiro, ao completar 75 anos, idade em que a aposentadoria é permitida pelo direito canônico.
Ele também participou da segunda posse de Trump e elogiou o ativista de extrema-direita Charlie Kirk como um “São Paulo dos tempos modernos”, declaração que provocou críticas entre fiéis e lideranças católicas.
Conhecido por sua personalidade expansiva, Dolan é presença frequente no programa conservador Fox & Friends e apresenta um programa semanal no canal The Catholic Channel, da SiriusXM.