
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a transferência de Jair Bolsonaro para a “Papudinha” pode representar um primeiro movimento rumo a uma eventual prisão domiciliar. A leitura circula tanto entre integrantes da Corte quanto entre aliados do ex-presidente, após a decisão do ministro Alexandre de Moraes de mudar o local de custódia, segundo o jornal O Globo.
Embora Moraes não tenha indicado formalmente a intenção de conceder o benefício, parte dos ministros interpreta a mudança como um gesto que abre margem para esse debate. A avaliação ocorre em meio à pressão de aliados e a questionamentos sobre o estado de saúde de Bolsonaro, tema recorrente nos pedidos apresentados pela defesa.
A “Papudinha”, localizada no Complexo da Papuda, oferece condições consideradas mais amplas do que a sala de Estado-Maior da Polícia Federal. O espaço inclui quarto, cozinha, banheiro e área externa exclusiva, além de permitir banho de sol livre, uso de equipamentos de fisioterapia e ampliação do tempo de visitas.

Nos bastidores, interlocutores do STF avaliam que a decisão também pode funcionar como uma forma de reduzir a tensão em torno do caso. O embate público vinha se intensificando diante de sucessivas solicitações de prisão domiciliar e de manifestações políticas em defesa do ex-presidente.
Alguns magistrados defendem, reservadamente, a possibilidade de concessão da domiciliar ainda no primeiro semestre de 2026. O argumento seria evitar que o tribunal venha a ser responsabilizado por eventual agravamento do quadro clínico de Bolsonaro, que enfrentou crises de soluço e passou por cirurgia no fim de 2025.
Apesar dessas leituras, a posição predominante no Supremo é de cautela. Ministros próximos a Moraes reforçam que os critérios legais para prisão domiciliar humanitária permanecem os mesmos e que qualquer decisão dependerá exclusivamente de fundamentos jurídicos e de segurança, e não de pressões políticas ou interpretações externas.