Para Moro, as pesquisas sobre armas são “controversas” e o chefe dele é que sabe. Talquei? Por Kiko Nogueira

Moro na GloboNews: as pesquisas estão erradas, ele e o chefe estão certos

Todo eleitor recalcitrante de Jair Bolsonaro, diante da debacle do governo idiocrata, se apoia numa espécie de reserva moral identificada em Sergio Moro.

Moro seria um Bolsonaro de banho tomado. Elio Gaspari traduz bem essa mentalidade.

“Moro era a imagem do poder nacional, encarnando algo bem-vindo e novo. Suas decisões eram festejadas, mesmo quando absolvia”, diz Elio em seu mundo encantado na Folha.

Sergio Moro e o chefe são a mesma pessoa e isso vai ficando apenas mais explícito. 

A entrevista à GloboNews sobre o decreto de Bolsonaro facilitando a posse de armas é de um obscurantismo atroz.

Em defesa do indefensável, Moro desfez das pesquisas que indicam que armar a população é uma medida ineficiente em termos de segurança pública.

“Essa questão de estatística, de causa de violência, sempre é um tema bastante controvertido. Claro que especialistas que trabalham com isso devem ser valorizados, até valorizamos isso reportando a estatística colhida por institutos, mas o fato é que isso é controverso”, falou.

“A política anterior não resultou numa diminuição significativa do número de homicídios no Brasil. Se a política de desarmamento fosse tão exitosa, o que teria se esperado era que o Brasil não batesse ano após ano o recorde em número de homicídios”.

Ora. Que tentasse justificar a palhaçada, mas honestamente.

Segundo dados do Ministério da Saúde e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, de 1980 até 2003 as taxas de homicídios subiram em ritmo alarmante, com alta de aproximadamente 8% ao ano. 

Em 2003, o Estatuto do Desarmamento restringiu a posse e o acesso a armamentos e salvou mais de 160 mil vidas, de acordo com o Mapa da ViolênciaO crescimento estancou.

O Datafolha registrou que a maioria da população é contra a posse.

O Ideia Big Data revelou que 70% dos brasileiros não pretendem comprar uma pistola ou algo do gênero.

Ninguém vai encontrar um levantamento a favor da canetada demagógica de Jair.

Até o estudo usado como referência para o decreto bolsonarista afirma que armas pioram o cenário de violência.

Mais fácil, portanto, desqualificar tudo o que se investigou sobre o tema. Fatos são discutíveis. Quem sabe é o Jair.

Não se espante se, em alguns dias, Moro passar a terminar sua parolagem com um “talquei”.

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