
Eduardo Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos em março de 2025. Fez o seguinte cálculo: em outubro de 2026 teremos eleição e a extrema direita pode voltar ao poder em janeiro de 2027. Da fuga até a vitória seriam 22 meses.
Eduardo trabalhava com a perspectiva de que o fascismo poderia dar uma invertida nos inimigos do Supremo e depois vencer a eleição. Sua fuga era transitória, até a reorganização da direita, a partir principalmente da sabotagem de Trump ao governo Lula e à economia brasileira.
Contou com Trump, com a rearticulação interna da direita, com as interferências das big techs no mundo virtual e com financiamentos do governo americano a ações em redes do bolsonarismo durante a eleição. Não deu certo, porque esqueceram de combinar com o povo.

Quase tudo funcionou, menos Flávio Bolsonaro. O segundo irmão foragido terá pelo menos quatro anos pela frente, até contar com a possibilidade real de ver a direita voltando ao poder no Brasil na eleição de 2030. Ou apostar que algo estranho aconteça antes e seu exílio seja abreviado.
É muito tempo. A direita vai se reorganizar sem ele, e o mais certo é que a velha direita e mesmo o bolsonarismo não queiram mais nada com o derrotado. Flávio passa a ser um incômodo para todos os que vieram até aqui com o bolsonarismo, mas não suportam os danos da terceira derrota.
O pai dele perdeu a eleição de 2022, perdeu ao ver o golpe fracassar e perdeu de novo agora, vendo o filho ser massacrado por Lula. Eduardo e Flávio estão em situação desconfortável, mesmo que tenham mais de R$ 100 milhões em contas secretas. Para foragidos, Miami pode ser um tédio.