
A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu mais pessoas do que a 34ª Marcha para Jesus, segundo levantamentos realizados pelo Monitor do Debate Político, iniciativa do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) em parceria com a USP e a organização More in Common.
De acordo com a pesquisa, a Parada LGBT+, realizada neste domingo (7) na Avenida Paulista, alcançou um pico de aproximadamente 36,8 mil participantes às 14h37. Considerando a margem de erro de 12%, o público variou entre 32,3 mil e 41,2 mil pessoas.
Já a Marcha para Jesus, realizada na última quinta-feira (4), registrou cerca de 33,8 mil participantes em seu momento de maior concentração, às 10h20. Com a mesma margem de erro, o público estimado ficou entre 29,8 mil e 37,8 mil pessoas.
Os dois eventos foram medidos com a mesma metodologia, utilizada desde 2022 para calcular a participação em grandes manifestações e atos públicos. As estimativas são feitas a partir de fotografias aéreas analisadas por softwares de inteligência artificial.

A Parada deste ano teve como tema “A rua convoca, a urna confirma”, reforçando a mobilização política da comunidade LGBT+ em defesa de direitos e da participação eleitoral. O evento também ocorreu em meio a dificuldades financeiras. Segundo a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), houve uma redução de cerca de 60% na arrecadação proveniente de patrocínios em comparação com o ano anterior.
Em 2025, o evento contou com o apoio de 12 marcas. Neste ano, apenas três empresas participaram como patrocinadoras ou apoiadoras: Amstel, Grupo L’Oréal Brasil e Philip Morris Brasil. A redução de recursos também impactou a estrutura da festa. O número de trios elétricos caiu de 19 para 14.
Além das dificuldades financeiras, a Parada aconteceu em um contexto de tensão política. Tramita na Câmara Municipal de São Paulo um projeto de lei aprovado em primeira votação que pretende restringir a presença de crianças e adolescentes em eventos que façam referência à população LGBT+, além de criar obstáculos para a realização de atividades em espaços públicos.
Mesmo diante desse cenário, milhares de pessoas ocuparam a Avenida Paulista ao longo do dia. O levantamento mostra que o público da Parada LGBT+ foi ligeiramente superior ao registrado pela Marcha para Jesus, um dos maiores eventos religiosos do país.
Para a medição da Parada, os pesquisadores utilizaram imagens captadas em seis horários diferentes e selecionaram 27 fotografias do momento de maior concentração. No caso da Marcha para Jesus, foram analisadas 24 imagens aéreas registradas durante a concentração e o deslocamento dos participantes entre a região da Luz e a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na zona norte da capital paulista.