
O Banco Central do Paraguai interveio nesta terça-feira (3) no Ueno Bank, instituição ligada ao presidente Santiago Peña, após apontar uma grave insuficiência de capital. A medida suspendeu os serviços do banco e deixou correntistas sem acesso imediato aos depósitos.
O regulador afirmou que a intervenção busca “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”. As autoridades passaram a organizar a devolução dos recursos mantidos na instituição.
O Ueno Bank administra somas milionárias de recursos de aposentadorias e outras verbas públicas. A suspensão das operações atingiu uma instituição que concentrava valores relevantes para o setor público paraguaio.
Horas após a intervenção, Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central do Paraguai. Peña havia solicitado a saída do dirigente mais cedo e comunicou a decisão em uma publicação na rede X.
Ante los hechos de público conocimiento registrados en el transcurso del día, he pedido la renuncia del presidente del Banco Central del Paraguay.
Además, acordamos con los presidentes de ambas cámaras del congreso el tratamiento de un proyecto de ley que autoriza el uso del Fondo de Garantía para iniciar el pago inmediato a los ahorristas. Asimismo, esta ley garantizará la devolución de los fondos públicos, del IPS y de las demás cajas jubilatorias públicas.
Insto a los legisladores de todos los sectores a aprobarlo con la mayor celeridad.
El Banco Central debe informar a toda la ciudadanía los plazos y mecanismos de devolución de los fondos garantizados.
Este es un caso particular de una entidad, no del sistema financiero nacional, y quienes sean responsables deberán responder ante la Justicia, sin excepciones y sin privilegios.
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 3, 2026
Antes de assumir o comando do Banco Central em 2023, Carvallo presidiu a financeira Ueno. Ele formalizou a renúncia ao Poder Executivo e também comunicou a decisão ao Senado por carta.
Peña assumiu a Presidência do Paraguai em 2023, com mandato previsto até 2028. O presidente possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank, mas se desvinculou da participação em 2025.
A Justiça paraguaia determinou a prisão de oito dirigentes do banco, entre eles o presidente da instituição, Miguel Vázquez. As ordens foram emitidas no mesmo dia da intervenção financeira.
Miguel Vázquez se apresentou à polícia na tarde desta terça-feira (3), após a decisão judicial. As autoridades ainda organizavam os procedimentos para devolver os depósitos aos clientes do Ueno Bank.