Parceiro do filme da Lava Jato, Madero pagou propina na Carne Fraca, disse juiz. Por Kiko Nogueira

Atualizado em 7 de março de 2020 às 12:10
Junior Durski e Luciano Huck visitam fábrica do Madero no PR (Foto: Brunno Covello)

O empresário Junior Durski, dono do Madero, que tem como um dos sócios Luciano Huck, ficou famoso nacionalmente com um vídeo de apoio aos protestos golpistas do dia 15.

No Instagram, Durski diz que está “100% com o presidente”.

“Tenho muito orgulho de ter votado no Bolsonaro, de ter trabalhado na campanha do Bolsonaro, de ter ido para a rua todas as vezes que tivemos que ir, que vão de novo para as ruas no dia 15 de março, vamos estar juntos”, diz.

Provocado, Huck, em seu estilo milionário-que-é-gente-como-você-e-fala-como-um-idiota, foi às redes defender imbecilidades como “o mundo é bacana porque é plural” e blablablá.

Durski tem uma biografia, digamos, rica.

Já foi vereador, madeireiro em Rondônia, garimpeiro (levava grana em sacos), até estourar em SC com a lanchonete.

Gosta de ostentar essa imagem de self made man. A rede hoje é avaliada em 3 bilhões de reais.

Virou coach, palestrante e “ativista” contra a corrupção, chegado do pessoal da “República de Curitiba”.

“A fortuna não muda os homens, apenas os desmascara”, insistia a Madame de Riccoboni.

Em 2017, o Madero foi implicado na Operação Carne Fraca.

A companhia pagava propina em dinheiro e em produtos a fiscais, segundo despacho do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Criminal Federal do PR.

A maior parte dos casos teria ocorrido na região metropolitana de Curitiba, onde os hambúrgueres eram produzidos.

Funcionários foram convocados pela Polícia Federal e entregaram imagens captadas nas câmeras de segurança.

A PF, rapidamente, apontou o Madero como vítima.

Coincidentemente, o grupo de Durski aparece no Facebook do filme “A Lei é para todos” como um dos “parceiros” da produção.

No destaque, o delegado Igor Romário de Paula

Durski falou à Veja sobre o episódio.

“É notório que existe muita corrupção no Brasil, tanto quanto é notório que existe muito corporativismo nos órgãos públicos”, afirmou.

“A impunidade é muito grande. O empresário pensa: ‘Se eu denunciar, não vai acontecer nada com o fiscal, e depois ele volta e me arrebenta’.”

Argumentou que o dinheiro era entregue sem que ele fosse consultado.

Quando soube, determinou que “nunca mais deveria fazer pagamento nenhum”.

Também divulgou uma nota contando que sentia orgulho de “passar o Brasil a limpo, tornando-o um lugar mais digno e decente para que as nossas crianças cresçam e se alimentem de produtos e conceitos bons”.

“Temos que ter muita disposição e coragem neste momento que o Brasil dá esta virada, denunciando e colaborando com a polícia e com a justiça, sempre que estes bandidos e corruptos batam às nossas portas.”

Essa “virada” deu em Bolsonaro, Moro e num pasto fascista prontinho para o gado do qual Durski cuida com tanto carinho.