“Parece irrecuperável”, diz Caetano Veloso sobre autoritarismo no Brasil

Atualizado em 1 de junho de 2026 às 15:59
Caetano Veloso. Foto: Reprodução

Caetano Veloso afirmou estar preocupado com o cenário político e social do Brasil e com o crescimento de discursos autoritários no país. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o cantor disse que o país “parece irrecuperável”.

“As coisas estão tão ruins hoje em dia. O Brasil parece irrecuperável. Mas, ao mesmo tempo, a sensação de que ele ainda pode dizer algo importante ao mundo, persiste”, disse. O artista também comentou a presença de manifestações favoráveis ao regime militar.

“Há pessoas que dizem publicamente que gostariam que a ditadura militar voltasse. E dizem isso como se não fosse nada”, prosseguiu. Ele relembrou o período em que foi preso, mantido em confinamento e posteriormente exilado durante a ditadura militar.

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Bolsonaristas pedem golpe militar em manifestação. Foto: Sérgio Lima/AFP

Segundo Caetano, a experiência teve impacto profundo em sua vida. “Prisão, confinamento e exílio foram experiências muito dolorosas. Ficamos presos durante dois meses, depois confinados vários meses em Salvador e, em seguida, exiliados por mais dois anos. Isso até mudou minha perspectiva sobre o mundo”.

Ao falar sobre o tropicalismo, movimento do qual foi um dos principais expoentes, o cantor avaliou que a realidade cultural mudou com o avanço das tecnologias digitais. “Essas ideias foram saudáveis para o Brasil por muitos anos. Mas hoje, com o mundo digital e mudanças tecnológicas, a situação é diferente. Muitas pessoas novas aparecem constantemente nas redes sociais, e é muito difícil saber quem é realmente especial”, acrescentou.

Apesar das transformações, Caetano defendeu a abertura cultural e a troca de influências entre diferentes tradições. “Não existe pureza cultural na América. Queríamos mais energia criativa, e foi por isso que não aceitamos a defesa rígida da tradição”, declarou.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.