Parente e os efeitos da política “America First”, que ele implantou na Petrobras. Por Joaquim de Carvalho

Pedro Parente

O ministro das Minas e Energia, Moreira Franco, avisou ao mercado, através da Folha de S. Paulo: Pedro Parente fica.

“É como na música do Tim Maia: não há motivo (para ele sair)”, disse.

Não?

A histórica Associação dos Engenheiros da Petrobras, que existe praticamente desde a campanha o Petróleo É Nosso, analisou a política de preços implementada por Pedro Parente, que eu reproduzo aqui, na forma de perguntas e respostas?

Qual a política de preços implementada por Pedro Parente?

Resposta:  A Petrobras adotou nova política de preços dos combustíveis em outubro de 2016. A partir de então, foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes.

Quem ganhou com essa política?

Resposta: A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

Foi uma política boa para os americanos, então?

Resposta: Ganharam os produtores norte-americanos, os “traders” multinacionais, os importadores e distribuidores de capital privado no Brasil. Perderam os consumidores brasileiros, a Petrobras, a União e os estados federados com os impactos recessivos e na arrecadação. Batizamos essa política de “America first! ”, “Os Estados Unidos primeiro!”.

Mas as analistas da velha imprensa dizem que, se não houvesse essa política, a Petrobras quebraria. Quebraria mesmo?

Resposta: Diante da greve dos caminhoneiros assistimos, lemos e ouvimos, repetidamente na “grande mídia”, a falácia de que a mudança da política de preços da Petrobras ameaçaria sua capacidade empresarial. Esclarecemos à sociedade que a mudança na política de preços, com a redução dos preços no mercado interno, tem o potencial de melhorar o desempenho corporativo, ou de ser neutra, caso a redução dos preços nas refinarias seja significativa, na medida em que a Petrobras pode recuperar o mercado entregue aos concorrentes por meio da atual política de preços. Além da recuperação do mercado perdido, o tamanho do mercado tende a se expandir porque a demanda se aquece com preços mais baixos.

Mas a política implementada por Pedro Parente não fortaleceu a empresa?

Resposta: Não. A atual direção da Petrobras divulgou que foram realizados ajustes na política de preços com o objetivo de recuperar mercado, mas até aqui não foram efetivos. A própria companhia reconhece nos seus balanços trimestrais o prejuízo na geração de caixa decorrente da política adotada.

Outra falácia repetida 24 horas por dia diz respeito a suposta “quebra da Petrobras” em consequência dos subsídios concedidos entre 2011 e 2014. A verdade é que a geração de caixa da companhia neste período foi pujante, sempre superior aos US$ 25 bilhões, e compatível ao desempenho empresarial histórico. Em 2011, foram 33,03 bilhões de dólares gerados pela companhia; em 2012, 27,04; em 2013, 26,03; em 2014, 26,6; em 2015, 25,9; em 2016, 26,10; e em 2017, 27,11.

É possível ter uma Petrobras forte com preços dos combustíveis mais baixos:

Resposta: A Petrobras é uma empresa estatal e existe para contribuir com o desenvolvimento do país e para abastecer nosso mercado aos menores custos possíveis. A maioria da população quer que a Petrobras atue em favor dos seus legítimos interesses, enquanto especuladores do mercado querem maximizar seus lucros de curto prazo.

Nossa Associação se solidariza aos consumidores brasileiros e afirma que é perfeitamente compatível ter a Petrobras forte, a serviço do Brasil e preços dos combustíveis mais baixos e condizentes com a capacidade de compra dos brasileiros.

Como se vê, Pedro Parente foi bom para os americanos, não para os brasileiros. Tucano, com experiência na gestão de fortunas pessoais e em empresas multinacionais, deixou na Minas e Energia, quando ministro, o legado do apagão entre 2001 e 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Voltou ao governo com o golpe de 2016. Para ser mantido na empresa, é porque tem costas quentes. Para derrubá-lo, os petroleiros iniciam na quarta-feira uma greve na empresa.

A reivindicação é trabalho.

Os petroleiros querem que as refinarias voltem a operar na sua capacidade plena, para garantir a produção de derivados do petróleo, como gasolina, gás e querosene a preços fixados em real, não em dólar.

Só assim o brasileiro deixará de viver o absurdo de pagar R$ 5,00 pelo litro da gasolina em Foz do Iguaçu, no Paraná, e, ao atravessar a fronteira, abastecer a R$ 2,50 em Ciudad del Leste, no Paraguai.

Brazil first; Pedro Parente, go home.