Parente na Sadia/Perdigão. Se soubessem como fazem leis e salsichas… Por Fernando Brito

Pedro Parente. (Foto: REUTERS/Sergio Moraes)

POR FERNANDO BRITO, jornalista e editor do blog Tijolaço

Os jornais anunciam que Pedro Parente, dias depois de demitir-se da presidência da Petrobras por ter criado o caos no país com a paralisação dos caminhoneiros, vai ser escolhido presidente da BRF, empresa que reúne a Sadia, Perdigão e outras marcas de carnes e derivados – embutidos, sobretudo – que controla grande parte do mercado brasileiro e mundial do setor.

O conhecimento de Parente sobre salsichas é, evidentemente, tão grande quanto o que ele tem sobre petróleo.

O seu negócio é ganhar dinheiro e o resto que se dane, seja com salsichas tipo Viena ou petróleo tipo Brent.

É isto o que faz a diferença quando se dirige um negócio estratégico, seja com energia – e o petróleo ainda é a maior e mais vital fonte deste suprimento – e outro que é uma atividade simplesmente empresarial, ainda que de grande porte.

Não que um dirigente de uma empresa de petróleo precise saber tudo sobre rochas carbonáticas e sísmica 3D, óbvio.

Mas precisa compreender a importância do que faz e muito mais quando esta empresa é estatal e joga um papel essencial no desenvolvimento de uma Nação.

E mais ainda quando esta Nação tem a ventura de descobrir os maiores depósitos de petróleo achados neste século em todo o mundo,

Um presidente da Petrobras tem de amar o seu país, pois só assim entenderá o que ela representa e pode representar para o Brasil.

Aí, vai se cercar de gente que também sonha e que sabe fazer o sonho a liga capaz de amalagamar-se ao conhecimento.

Do contrário, serve apenas para chicotear os operários que enchem os embutidos de linguiças, com mais gordura barata em lugar de carnes. E para vendê-las de olho pregado nas cotações do dólar.

Parente vai vender frangos, pernis e salsichas, dane-se o resto.

Mas, nas suas mãos, o Brasil vendeu pedaços imensos do filé que é nosso pré-sal a preço de carne de 2ª.

Dá vergonha de ver gente deste naipe, quando se tem, na Petrobras, gente como o herói nacional Guilherme Estrella, o homem que liderou a equipe que descobriu o pré-sal e com quem tive o privilégio de conversar algumas vezes, uma delas numa barca de passageiros que atravessa a Baía da Guanabara, falando sobre camadas geológicas formadas pelas algas em milhares de anos.

E que, apesar de ser capaz de observar estes minúsculos organismos que nos permitiram acumular tanto petróleo é capaz de ver grande e definir, com o olhar de quem vê a história, aos grandes tubarões da indústria do petróleo não como piratas, mas como corsários, os bandidos que se nutriam, no mar, da riqueza alheia, mas a serviço das grandes potências do mundo.

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