Parlamentares de SP destinaram R$ 7,7 milhões a ONGs ligadas ao filme de Bolsonaro

Atualizado em 17 de maio de 2026 às 18:14
Jim Caviezel como Bolsonaro em Dark Horse – Foto: Reprodução

Deputados e vereadores de São Paulo destinaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). Os valores aparecem em denúncias apresentadas pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira (PSol-RJ), além de registros de transparência do governo e da Prefeitura de São Paulo.

Mais investigações

Nesta sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma apuração preliminar sobre possíveis irregularidades no envio de emendas para projetos ligados a entidades comandadas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme. Além da Go Up, a decisão menciona o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Conhecer Brasil Assessoria.

A apuração busca informações sobre recursos enviados por parlamentares do PL, entre eles os ex-deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP), além dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF) e Mario Frias (PL-SP). Segundo a denúncia apresentada por Tabata Amaral, Frias enviou R$ 2 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil, sendo R$ 1 milhão destinado a um projeto de “letramento digital” e outro R$ 1 milhão para um projeto esportivo.

Mario Frias – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Desde o mês passado, oficiais de Justiça tentam intimar Mario Frias para prestar esclarecimentos sobre emendas destinadas a empresas ligadas à produtora do filme. Levantamento citado no texto também aponta que a deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) enviou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil para compra de equipamentos. Já Lucas Bove (PL) indicou uma emenda de R$ 213 mil para projetos esportivos da entidade, mas o repasse acabou barrado por razões técnicas.

O deputado Gil Diniz (PL) destinou R$ 200 mil à Academia Nacional de Cultura para custear parte da produção da série documental “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. O mesmo projeto também recebeu uma emenda de R$ 1 milhão enviada por Carla Zambelli. A denúncia ainda cita duas emendas que somam quase R$ 3,6 milhões enviadas pelo ex-vereador Atílio Francisco para eventos literários e de dança ligados às entidades investigadas.

A decisão de Flávio Dino ocorre em meio às informações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar “Dark Horse”. Dados preliminares apontam promessa de R$ 134 milhões para o projeto cinematográfico, enquanto comprovantes indicariam até o momento repasses de R$ 62 milhões.