Partido de Tarcísio flerta com Flávio e quer manter ponte com Lula; entenda

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 14:05
Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Com Tarcísio de Freitas (Republicanos) fora da disputa presidencial e o PSD articulando um nome próprio, o Republicanos chega ao ano eleitoral dividido entre se aproximar da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou preservar a relação com o governo Lula. A sigla analisa os riscos de aderir a um projeto nacional ainda em construção.

Segundo a Folha de S.Paulo, em São Paulo, a tendência majoritária é acompanhar o governador Tarcísio, visto como favorito à reeleição. Deputados e vereadores avaliam que o caminho mais seguro é seguir a sinalização já dada pelo governador em apoio a Flávio.

O gesto recente de Tarcísio ao nomear Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, para a Casa Civil reforçou a leitura de alinhamento da centro-direita paulista em torno do Palácio dos Bandeirantes.

Apesar disso, há cautela interna. Parte da bancada paulista considera o cenário em aberto e mantém a expectativa de que Tarcísio ainda possa entrar na corrida presidencial. Interlocutores apontam incertezas sobre a viabilidade eleitoral de Flávio, o que sustenta a estratégia de adiar decisões enquanto o quadro nacional se define.

Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, e Marcos Pereira, presidente nacional do partido. Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

Em outros estados, porém, o cálculo é diferente. Em Pernambuco, reduto do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), o partido está integrado à base de Lula. Costa Filho, que deve deixar o ministério para disputar o Senado, declarou trabalhar para que partidos de centro apoiem a reeleição do presidente, evidenciando a convivência do Republicanos com o governo federal.

PSD e Republicanos ocupam posições semelhantes no Congresso, com 47 e 44 deputados, respectivamente, e ambos indicaram ministros para o governo Lula, ao mesmo tempo em que controlam o governo paulista.

Ainda assim, a hipótese de apoiar um presidenciável do PSD é vista como remota dentro do Republicanos, tanto pela dúvida sobre a competitividade da sigla quanto por atritos recentes entre Gilberto Kassab (PSD) e Marcos Pereira (Republicanos).

Essas tensões ficaram explícitas na disputa pela presidência da Câmara em 2024, quando Kassab não apoiou Marcos Pereira, preferindo Antonio Brito (PSD-BA). Sem consenso, Arthur Lira (PP-AL) indicou Hugo Motta (Republicanos-PB), que acabou eleito. Após a derrota, Pereira atribuiu publicamente a Kassab a responsabilidade pelo desfecho.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.