Partido no poder em Angola diz que Record está “aflita por deixar de faturar US$ 500 milhões por ano”

Rui Falcão, secretário para Informação do MPLA. Imagem: reprodução

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO PORTAL ANGOLA 24H

O MPLA, partido no poder em Angola, desvaloriza as acusações proferidas pela TV Record à Primeira-dama da República de Angola, Ana Dias Lourenço. Há dias, Augusto Nunes, comentarista da TV Record, afirmou que a Ana Dias Lourenço adquiriu uma fortuna com supostos negócios ilícitos, usando a Orion, empresa de que foi accionista.

Numa mensagem escrita enviada à nossa reportagem, Rui Falcão, secretário para Informação do MPLA, limitou-se a responder os ataques, acrescentando que o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, e o seu canal de televisão estão aflitos, porque vão deixar de receber 500 milhões dólares que, anualmente, facturavam em Angola.

“Ainda não tenho dados. Entretanto, sei que a Record TV está aflita por causa dos 500 milhões de dólares que deixa de factura em Angola, por ano”, enumerou o político e ex-governador da província de Benguela.

Em função dos ataques, o escritório de Advogados Amaral Gourgel & Associados deixou de representar legalmente a IURD e a TV Record em Angola por discordar dos comentários, que considera “depreciativos” feitos contra o povo angolano e a primeira-dama, Ana Dias Lourenço.

Em abril, as autoridades angolanas suspenderam a Rede Record de Televisão -Angola, que responde pela TV Record África, entre outras razões, por ter “no exercício de função de Director-Executivo” um cidadão estrangeiro.

O Ministério das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social denuncia, ainda, que os quadros estrangeiros da empresa Rede Record de Televisão (Angola), Limitada, que exercem a actividade jornalística no país, “não estão acreditados nem credenciados no Centro de Imprensa Aníbal de Melo”.

De recordar que conflito entre o ramo brasileiro e a ala angolana da IURD em Angola arrasta-se desde finais de 2019, com trocas de acusações mútuas e processos judiciais em curso, culminando com deportação de dezenas missionários brasileiros da IURD, devido à cessação da actividade eclesiástica dos religiosos com nova direcção angolana.