
O pastor David Easterwood tornou-se alvo de protestos em Minnesota após ser revelado que ele trabalha no ICE, Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. A manifestação, realizada durante um culto na Cities Church, em St. Paul, terminou com prisões e ganhou repercussão nacional após a detenção do ex-apresentador da CNN Don Lemon.
Easterwood atua como um dos oito pastores da igreja, ligada à Convenção Batista Minnesota-Wisconsin, e, ao mesmo tempo, exerce funções de comando no ICE. Segundo a Associated Press, ele é o diretor interino do escritório de Operações de Execução e Remoção do ICE em St. Paul, responsável por ações em Minnesota e outros cinco estados do Meio-Oeste.
No dia do protesto, dezenas de manifestantes entraram na igreja durante o culto e gritaram palavras de ordem como “fora, ICE” e “justiça para Renee Good”, cidadã americana morta a tiros por um agente federal em Minneapolis, no início de janeiro.
Os organizadores afirmam que o ato teve como foco a dupla função exercida por Easterwood como pastor e autoridade migratória. O Departamento de Segurança Interna confirmou que não comenta tentativas de exposição de dados pessoais de agentes federais. Tricia McLaughlin, secretária-assistente da pasta, afirmou que o governo “nunca confirma nem nega tentativas de doxing [divulgação de informações privadas de uma pessoa]”, alegando riscos à segurança de agentes e familiares.
Oh, you won’t believe this one, a pastor in Saint Paul had his church service disrupted by protesters because it turns out he’s working directly with ice.
David Easterwood should be banished from the church for life because Jesus would not be on the side of ICE. pic.twitter.com/DyqQI7VydW
— MAGA Cult Slayer🦅🇺🇸 (@MAGACult2) January 19, 2026
Documentos apresentados à Justiça mostram que Easterwood trabalha no ICE desde 2015. Ele começou como agente de deportação, tornou-se supervisor e depois diretor-adjunto, até assumir a chefia interina do escritório de St. Paul em 2025.
Ele ficou conhecido por um depoimento à Justiça em que defendeu o uso de agentes químicos contra manifestantes, alegando aumento de ameaças e bloqueios às operações.
A crise se agravou após a prisão de Don Lemon, que afirmou estar no local atuando como jornalista. “Isso se chama jornalismo”, disse ele, ao relatar que entrou na igreja para observar o protesto e conversar com manifestantes, fiéis e o pastor. Lemon transmitiu partes da manifestação ao vivo e nega participação em qualquer ação ilegal.
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, declarou ter ordenado pessoalmente a prisão de Lemon e de outros manifestantes, classificando o episódio como um “ataque coordenado” à igreja. O Departamento de Justiça tentou indiciar oito pessoas, mas um juiz rejeitou as acusações contra Lemon por considerar as provas insuficientes.