Patrícia Abravanel é tão preconceituosa e caquética quanto o pai Silvio Santos. Por Nathalí

O apresentador Silvio Santos, dono do SBT, e a filha Patrícia Abravanel. Foto: Lourival Ribeiro / SBT / Divulgação

Patrícia Abravanel não perde uma só oportunidade de ficar calada e eu posso provar:

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Pegando carona na polêmica envolvendo Rafa Kalimann e Caio Castro – ligeiramente cancelados, por assim dizer, após compartilharem um vídeo em que um pastor diz “não concordar” com relacionamentos homoafetivos  – a filha de Silvio Santos aproveitou pra pedir empatia pelos homofóbicos:

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“Nós que fomos educados por pais mais conservadores… a gente tá aprendendo, a gente tá se abrindo, mas eu acho que é um direito também das pessoas… as pessoas têm que respeitar. Por quê não concordar em discordar? A gente pode ter opiniões diferentes, e tudo bem. Tudo é muito polemizado. Eu não acho que o Caio ou a Rafa são preconceituosos, eu acho que eles realmente foram educados de uma outra forma. Então eu acho que assim como os LGBTQYH não sei (sic) querem respeito, eles têm que ser mais compreensivos com aqueles que hoje ainda não entendem direito. A gente não sabe lidar… então tem que ter respeito, compreensão, e não massacre, cancelamento, acho que não é por força, é por diálogo, conversa e respeito que vamos chegar num mundo sem homofobia e sem tantas discussões e cancelamentos”, defendeu em um trecho do “Vem pra cá”, programa tão duvidoso quanto o título.

Não me choca nem um pouco que uma figura como Patrícia Abravanel venha a público em um programa tenebroso de fofoca no SBT pedir empatia pelos homofóbicos – ao que parece, viver no Brasil me ensinou a não me surpreender com esse tipo de apelo – mas me intriga perceber que uma falsa simetria tão óbvia seja defendida sem nenhum constrangimento: se os LGBTQI+ querem respeito, precisam respeitar a homofobia?

Oi?

O grande problema da superficialidade do debate sobre direitos de pessoas LGBTQI+ no Brasil (sobretudo em se tratando de gente como os Abravanel) é enquadrar homofobia como opinião.

Porque sim, Patrícia, nós podemos ter opiniões diferentes sobre filmes, moda, esoterismo, comida japonesa, teorias da conspiração,  arroz por cima ou por baixo do feijão e até sobre política – embora eu esteja convencida de que você seria incapaz de ter sobre isso uma opinião realmente sua – mas nós não podemos ter “opiniões diferentes” quando se trata da orientação sexual alheia, porque a vida sexual e afetiva do outro não nos diz respeito e não está a mercê do nosso julgamento, opinião ou seja lá como você queira chamar.

Pedir que se tenha com os homofóbicos o mesmo respeito que se espera – corrijo: que se exige – às pessoas com orientações sexuais diferentes da heteronormativa é, mesmo pra gente como você, de uma desonestidade sem tamanho. Essa simetria não existe e não poderia existir independente do tamanho do seu malabarismo retórico.

Afora que essa história de “nós ainda estamos aprendendo” já passou da validade. Século XXI, informação e conhecimento a um clique de distância, do que mais você precisa pra aprender que as escolhas dos outros não te dizem respeito? De um pai bilionário dono de uma emissora de televisão? Não, pera…

E tudo bem que esperar que uma pessoa educada pelo Silvio Santos não seja moralista, engessada e burra é esperar um pouco demais, mas precisava recorrer ao célebre “o que vou dizer aos meus filhos?”

Diga pra cuidarem das próprias vidas, querida, coisa que você deveria estar fazendo a título de exemplo. Diga também que o amor salvará o mundo, não importa a orientação sexual, e aproveite pra dizer a si mesma que comandar um programa de fofoca na emissora do papai não é construir uma trajetória – e isso sim haveria de envergonhar seus filhos.

A defesa de Patrícia aos cancelados da semana foi, além de desnecessária, mais uma entre tantas provas de que a herdeira do império de Silvio Santos é tão sórdida e caquética quanto ele.  Caio Castro e Rafa Kalimann são preconceituosos, sim – um preconceito com verniz de empatia, o mais perigoso de todos – e essa ridícula tentativa de poupá-los do cancelamento só atesta ainda mais o seu mérito – são tempos em que, felizmente, defesa de gente podre já não vale nada.

Além do mais, pedir “diálogo, conversa e respeito” toda vez que um hobofóbico é pego no pulo já era ultrapassada na década passada. Se você, cis, riquíssima e privilegiada “não consegue lidar” com a orientação sexual alheia (como se isso te dissesse respeito), é bom que aprenda: homofobia não é opinião, é crime.

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