Patrícia venceu, mas ainda falta pegar os financiadores das milícias. Por Moisés Mendes

Atualizado em 29 de junho de 2022 às 13:40
Patrícia venceu Bolsonaro - Foto: Reprodução
Patrícia venceu Bolsonaro na Justiça – Foto: Reprodução

O chefe do governo da quadrilha de pastores e dos assediadores de assessoras foi derrotado pela jornalista Patrícia Campos Mello no Tribunal de Justiça de São Paulo por quatro votos a um.

A jornalista da Folha havia sido acusada pelo genocida de tentar obter informações em troca de sexo.

Em fevereiro de 2020, Bolsonaro afirmou que Patrícia “queria dar o furo a qualquer preço”, depois de a Folha ter publicado reportagens mostrando o esquema de financiamento ilegal de disparos em massa para a extrema direita no WhatsApp.

Ele apenas repetia o que outros bagaceiros haviam dito antes e que não vale a pena relembrar aqui.

Patrícia escreveu agora nas redes sociais:

“Ganhamos! Por 4×1, o TJ de SP decidiu que não é aceitável um presidente da República ofender, usando insinuação sexual, uma jornalista. Uma vitória de todas nós mulheres”.

Vitória das mulheres, do jornalismo e das liberdades contra o fascismo. O TJ reafirmou uma sentença de primeira instância contra Bolsonaro.

O sujeito terá de pegar R$ 35 mil de indenização por dano moral. Sim, apenas R$ 35 mil. Não há o que fazer. O que importa é a condenação do fascista.

Mas ainda falta muito mais. Falta derrotar os apoiadores do sujeito que tentam calar jornalistas na Justiça, como se tivessem se apoderado do Judiciário, usando a tática das ações em massa.

Falta pegar os empresários que financiaram e talvez ainda financiem o gabinete do ódio.

Falta saber como grandes sonegadores sustentaram o esquema de difamação montado dentro do Planalto, com a participação dos filhos de Bolsonaro.

A vitória de Patrícia só estará completa quando o Supremo concluir as investigações, antes da eleição, e apontar quem são os patrocinadores milionários das milícias digitais.

Mas é preciso que esses nomes sejam tornados públicos antes da eleição, ou o inquérito terá perdido o objetivo de punir os que atuaram em 2018 e conter a mesma quadrilha para que não volte a atuar este ano.

Publicado originalmente no Blog do Moisés Mendes