Paulo Figueiredo profere ofensa sexual contra jornalista do Metrópoles; site vai processar bolsonarista

Atualizado em 8 de novembro de 2026 às 0:56
Paulo Figueiredo (esq) disse que Natália André (dir) é baranga e que pode ter tido relação sexual com ela. Sim, ele disse (crédito: reprodução/Instagram)

O empresário Paulo Figueiredo, aliado próximo da família Bolsonaro, chamou uma jornalista do site Metrópoles de “baranga”, e disse que “poderia ter comido o c* dela, nada é impossível”. Por causa disso, será processado pelo veículo.

As ofensas foram direcionadas a Natália André, apresentadora do jornal “Acorda, Metrópoles” e jornalista da empresa desde 2022. Na manhã da última quinta-feira (5), a profissional comentava uma notícia publicada pelo site na noite anterior, que já ganhava repercussão nacional: Figueiredo vendeu uma casa na Flórida (EUA) dois dias antes do 2º turno das eleições brasileiras (25/10), por um valor próximo a 1 milhão de dólares – cifra inferior à que havia custado ao empresário – e que servia de sede a uma entidade não lucrativa que tem o neto do ex-ditador brasileiro João Figueiredo como vice-presidente. Assista, abaixo, ao referido trecho.

 

Como se nota, o comentário da jornalista é sério, respeitoso e amparado em uma análise contextual relevante e coerente. Ainda assim, o bolsonarista achou por bem responder da maneira que se vê abaixo:

Os modos de Figueiredo geraram reação imediata da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que declarou:

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudia o ataque misógino do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo contra a jornalista Natália André, do portal de notícias Metrópoles, nesta quinta-feira, 5.

Figueiredo usou palavras de baixo calão para ofender a repórter no exercício de sua profissão. Discordar de conteúdo jornalístico, criticar ou solicitar correções são ações que podem ser tomadas por aqueles que vislumbram erros em matérias, mas ataques são inaceitáveis.

Dos Estados Unidos, fora do alcance da Justiça brasileira, Figueiredo tem proferido ofensas chulas, produzido desinformação e instigado seus seguidores a atacar jornalistas.

Este não é um episódio isolado. Há anos, jornalistas mulheres são alvo de violência por seu trabalho na imprensa brasileira. Em junho, Figueiredo já havia atacado a jornalista Andréia Sadi, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República contra ele por declarações misóginas anteriores. Em julho, ele proferiu novos ataques a profissionais da GloboNews, do Poder 360, da Folha de S. Paulo e à jornalista Miriam Leitão.

A Abraji repudia a ação e se solidariza com a profissional.

O Metrópoles, por sua vez, até as 0h01 deste domingo (8), não havia divulgado qualquer comunicado a respeito do ocorrido. A única ação notável relacionada ao tema é o fato de que, após as ofensas de Figueiredo, as postagens trazendo o comentário de Natália André foram excluídas das páginas do veículo nas redes sociais.

Metrópoles retirou das redes comentário de jornalista após Paulo Figueiredo ofendê-la publicamente (crédito: reprodução/Google)

O DCM entrou em contato com o Metrópoles no último sábado (6). A resposta foi que o site não iria se pronunciar naquele momento.

Segundo apurou a reportagem, porém, a empresa não deixou de notar nem pretende ignorar o ataque à sua profissional. A demora para que haja qualquer posicionamento se dá por conta da complexa estratégia jurídica necessária para que a lei alcance Paulo Figueiredo, morador dos Estados Unidos, distante da jurisdição brasileira.

Ainda conforme apurou a reportagem, após o episódio, a direção do veículo passou a entender que Figueiredo – que muitas vezes serve de fonte aos jornalistas do Metrópoles que apuram os bastidores da política – ultrapassou o limite da civilidade, e não deve ser considerado um interlocutor relevante da arena pública de debate. As ações de resposta da empresa deverão ocorrer nos próximos dias.