Paulo Guedes deu um banana para a Câmara dos Deputados: governo aposta no pior

Paulo Guedes. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil

O anúncio de Paulo Guedes de que não comparecerá à Câmara dos Deputados para defender a reforma da Previdência está alinhada ao movimento de Jair Bolsonaro de desprestigiar e enfrentar o Legislativo.

O que eles pretendem?

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), em entrevista ao DCM Café da Manhã desta terça-feira,  abordou o tema, sem saber ainda que Guedes desistiria de ir à Comissão de Constituição e Justiça.

“Estão tensionando a institucionalidade. Colocam na rede ataques ao STF, no sentido de fechar o STF. Não de reformá-lo, de democratizá-lo, que é evidente que o STF precisa ser democratizado. Mas não. Eles querem o fechamento. Volta a história de um cabo e um soldado. Eles já criam um ambiente para fechar o STF, brigar com o Congresso Nacional, tentando desmoralizar mais uma instância da democracia, e quem sabe, assim, namorando com o autoritarismo, porque o próprio Bolsonaro pede aos militares para comemorarem a ditadura militar, que ele não chama de ditadura, mas de revolução de 1964. Ora, isso é todo um tensionamento e uma sinalização de que ele quer o endurecimento e quer quebrar a institucionalidade”, afirmou.

Deputados foram eleitos, têm mandato popular para representá-los e não faria nenhum sentido debater com a equipe técnica oferecida pelo ministro da Economia.

A decisão de Guedes segue, portanto, a mesma linha de comportamento de Sergio Moro, que também desprestigiou o Congresso Nacional ao tentar enquadrar Rodrigo Maia, presidente da Câmara, para acelerar a tramitação de seu projeto de lei sobre segurança.

Esse padrão de comportamento dos ministros decorre de duas situações possíveis: orientação do líder (no caso, o presidente) para diminuir a importância do Legislativo ou ausência de liderança, em que cada subordinado faz o que bem entende.

A sinalização de Bolsonaro, porém, é clara: o filho, Carlos, postou no Twitter que o pai não deve sair das redes sociais, para não perder a conexão com o eleitor e, assim, ficar exposto à chantagem.

Ele não deu o nome, mas o alvo era certo: Rodrigo Maia, que havia sugerido a Bolsonaro que deixasse o Twitter. Nesse caso, Carlos Bolsonaro sugeriu que Maia faz chantagem.

O próprio Jair Bolsonaro, depois disso, postou um vídeo com comentário do ex-porta voz da ditadura Alexandre Garcia, em que este também ataca presidente da Câmara.

Um ataque abaixo da linha da cintura, diga-se, já que associa o desentendimento de Maia com Sergio Moro ao resultado da prisão de Moreira Franco, padrasto de sua mulher.

Na verdade, ocorreu o inverso. Rodrigo Maia, primeiramente, enquadrou Moro, depois a Lava Jato mandou prender Moreira Franco.

Mas, para quem quer confusão — ou, como se dizia antigamente, pescar em água turva —, a verdade pouco importa.

Bolsonaro parece apostar nas trevas institucionais.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!