PCC e CV: Lindbergh Farias aponta contradições da classificação terrorista

Atualizado em 30 de maio de 2026 às 15:10
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) – Foto: Reprodução

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) questionou nesta sexta-feira (30) a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a medida abre caminho para sanções, ameaças ao Pix e pressão sobre bancos brasileiros, além de representar interferência na soberania do país.

Segundo levantamento da Subsecretaria de Inteligência da Segurança Pública do Rio de Janeiro, 95% dos fuzis apreendidos pela Polícia Militar em 2024 foram fabricados no exterior. Em 2025, 60% das armas apreendidas no estado eram provenientes dos Estados Unidos.

Farias questionou a contradição entre a classificação das facções como terroristas e a continuação do fluxo de armas estadunidenses para esses grupos. Ele também questionou se os responsáveis pela fabricação, venda, exportação e triangulação dessas armas seriam tratados como financiadores do terrorismo.

O deputado destacou a necessidade de cooperação internacional efetiva para rastrear armas, bloquear dinheiro sujo e sufocar o crime organizado. Ele afirmou que o Brasil não aceitará “tutela colonial” de países fornecedores de armas, que apontam o dedo para o território brasileiro enquanto lucram com o comércio de armamento.

A publicação de Lindbergh Farias ressaltou a importância de proteger a soberania nacional. O parlamentar argumentou que quem manda no Brasil são os brasileiros, e que o país precisa de políticas de segurança que priorizem o combate ao crime organizado de forma independente.

A discussão sobre a classificação das facções criminosas ganhou repercussão após declarações do presidente estadunidense Donald Trump, que defendeu medidas contra o PCC e o CV utilizando legislação antiterrorismo. A posição estadunidense prevê sanções econômicas e financeiras sobre setores ligados às facções.

Farias também citou o impacto potencial sobre o sistema financeiro brasileiro, especialmente o Pix, afirmando que a medida pode gerar restrições e investigações sobre transações financeiras no país. O deputado reforçou que a prioridade deve ser rastrear armas e recursos ilícitos diretamente ligados às facções.

A postagem do parlamentar recebeu interações de seguidores que mencionaram possíveis consequências políticas e econômicas da decisão dos EUA, reforçando o debate sobre o papel das armas estrangeiras e a necessidade de coordenação internacional para enfrentar o crime organizado.