PCC montou vigilância para matar Lincoln Gakiya e diretor de presídios, diz MP

Atualizado em 28 de julho de 2026 às 23:34
Roberto Medina, coordenador de presídios da Região Oeste de São Paulo
Roberto Medina, e o promotor de justiça, Lincoln Gakiya. Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro homens apontados como integrantes de uma célula de inteligência do Primeiro Comando da Capital que monitorava autoridades e familiares para fornecer informações destinadas à preparação de atentados.

A acusação por integração de organização criminosa armada foi apresentada contra Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH” ou “Falcão”; Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha” ou “Maurício”; Sérgio Garcia da Silva, o “Messi”; e Adilson Audinir Oliveira Junior, chamado de “Ju Machado”.

Segundo o Ministério Público, o grupo levantava endereços, rotas, horários, placas de veículos, fotografias e vídeos do promotor Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina. As informações seriam encaminhadas à “Sintonia Restrita”, setor da facção responsável por ações estratégicas contra agentes públicos.

Victor Hugo teria realizado a vigilância de Medina em Presidente Venceslau, filmando seus deslocamentos e seguindo até a esposa do coordenador. Wellison é apontado como responsável por receber o material e repassá-lo à estrutura superior do PCC. Ele também teria alugado uma chácara próxima às rotas utilizadas pela autoridade.

Imagem ilustrativa.
Fachada do Ministério Público do Estado de São Paulo. Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

Sérgio teria monitorado a rotina de Gakiya em Presidente Prudente, reunido mapas e localizações e participado de negociações envolvendo fuzis. Adilson teria atuado como interlocutor e auxiliado na exclusão de conversas e na destruição de vestígios digitais. Em sua residência, segundo a investigação, foram encontradas munições.

A denúncia se apoia em mensagens, vídeos, áudios, registros de geolocalização e documentos extraídos dos aparelhos dos investigados. O Ministério Público decidiu não acusá-los de ameaça porque não houve comunicação direta de intimidação às vítimas, mas pediu a prisão preventiva de Victor Hugo e Adilson e a inclusão dos denunciados no Regime Disciplinar Diferenciado.

O plano havia sido revelado pela Operação Recon, deflagrada em outubro de 2025. Victor Hugo já foi condenado, em outro processo relacionado ao caso, ao lado de Gabriel Custódio dos Santos. A nova acusação amplia a responsabilização e descreve a divisão de tarefas dentro da célula que abasteceria a cúpula da facção com informações sobre os alvos.

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