Pedro Bial conta os bastidores do programa que denunciou o médium mais famoso do Brasil por abuso sexual

Segundo publicação do Notícias da TV, o médium João de Deus foi acusado de abuso sexual por quatro mulheres entrevistadas no Conversa com Bial, exibido na sexta-feira (7). De acordo com Pedro Bial, a apuração do caso durou três meses. “Um programa que procura refletir sobre a realidade e seus fatos não pode deixar de receber a verdade quando ela se apresenta. E a verdade bateu à nossa porta”, disse o apresentador em entrevista publicada no site Gshow.

Pela primeira vez desde a estreia, em maio de 2017, o talk show exibiu relatos gravados em off. Ou seja, quando os entrevistados preferem não mostrar o rosto.

Dez mulheres contaram seus casos de abuso sexual com o médium João de Deus. Por questões de tempo, apenas quatro depoimentos foram exibidos: o de uma holandesa, que foi ao estúdio, e os de três brasileiras, que gravaram sem exibir o rosto e com a voz modificada.

“Em setembro, eu e a Camila [Appel, roteirista do programa] nos preparávamos para entrevistar o João de Deus. Fizemos o convite para que ele viesse ao estúdio, mas eles nos convidaram para antes conhecer a casa e conversar com o médium lá”, explicou Bial.

“Topamos, mas depois decidi não ir. Como Camila já tinha iniciado a pesquisa, ela esbarrou em denúncias de abuso sexual cometidos em Abadiânia e começou a correr atrás da história”, disse o jornalista.

De acordo com a roteirista do Conversa com Bial, depois do primeiro depoimento, muitos outros começaram a chegar até ela. “Ao todo, foram 11, um deles uma carta anônima que chegou à redação, e que nem consideramos na apuração, que inclui os testemunhos das 10 mulheres que realmente entrevistei”, relatou Camila Appel em entrevista ao Gshow.

Poucas pessoas sabiam sobre essa apuração. A gravação da edição que denunciou João de Deus foi feita com equipe reduzida, sem plateia nem banda. Segundo a Globo, por sigilo e para deixar as entrevistadas mais à vontade.

Pedro Bial, que já foi correspondente internacional e apresentador do Fantástico, conta que seu histórico de jornalista foi fundamental na decisão de exibir o programa.

“A maioria dos talk shows é apresentada por comediantes, com uma pegada humorística. No Conversa, também fazemos programas com muito humor, mas não há como não refletir a formação do apresentador. A minha é jornalista”, disse.

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